sexta-feira, 25 de maio de 2012


O Caminho da Salvação — A Fé Versus a Lei e as Obras
Nos capítulos anteriores deste livro, vimos que tudo o que o homem tem é pecado. Também vimos que é Deus que realiza tudo. Foi Ele que nos amou. Foi Ele que nos concedeu graça. Foi Deus que cumpriu a justiça, que levou o Senhor Jesus a morrer e ressuscitar por nós. Foi ainda Deus que enviou o Espírito Santo para nos convencer, iluminar e dar força para aceitarmos a obra de Deus. Deixe-me fazer-lhe uma pergunta muito comum. Que deve o homem fazer para ser salvo, visto que Deus completou toda a Sua obra? Deus fez toda a Sua parte. Hoje Ele colocou esta obra concluída diante do homem. Qual é, então, a condição para sermos salvos? Deus levou a cabo a obra da redenção. Como pode o homem agora receber a salvação? Como a redenção pode tornar-se salvação? Como pode a propiciação tornar-se substituição? Como pode o dom de Deus para nós, em Seu Filho, ser transmitido a nós no Espírito Santo? Aqui, estamos falando acerca da condição para a salvação. Que devemos fazer, de nossa parte, antes que o que é da parte de Deus seja transmitido a nós?
A CONDIÇÃO PARA A SALVAÇÃO — FÉ
Todos os que lêem a Bíblia sabem que a condição para a salvação é a fé. Não há outra condição senão a fé. O homem, por ter caído e ser corrupto, por seus pensamentos serem tortuosos e por estar a sua carne na esfera da lei, pensa que deve fazer algo para que seja salvo. Contudo, a Bíblia nos mostra que a única condição para nossa salvação é a fé. Além da fé não há outra condição. O Novo Testamento diz-nos claramente, pelo menos cento e quinze vezes, que quando o homem crê, ele é salvo, tem a vida eterna e é justificado. Quando o homem crê, ele tem todas essas coisas. Somando-se a essas cento e quinze vezes, outras trinta e cinco vezes a Bíblia diz que o homem é justificado pela fé, ou torna-se justo por meio da fé. No primeiro caso, temos o verbo crer. No segundo caso, temos o substantivo fé. O verbo crer é usado cento e quinze vezes. Uma vez que o homem crê, ele é salvo (At 16:31). Uma vez que o homem crê, tem a vida eterna (Jo 3:36). Uma vez que o homem crê, ele é justificado. Além desses versículos, há trinta e cinco ocorrências em que o substantivo fé é usado. O homem é salvo mediante a fé. Ele recebe vida eterna pela fé, e é justificado mediante a fé. Portanto, em todo o Novo Testamento, pelo menos cento e cinqüenta vezes é dito que o homem é salvo, justificado, e tem vida eterna unicamente por meio da fé. Não é uma questão de quem a pessoa seja, do que ela faça ou do que possa fazer. Tudo depende do crer. Tudo depende da fé.
Outra questão que merece especial atenção é que em todas essas cento e cinqüenta ocorrências da fé e do crer, nenhuma outra condição é adicionada. Esses versículos não dizem que o homem deve crer e a seguir fazer algo para receber a vida eterna. Eles não dizem que o homem deve crer e fazer algo antes que possa ser justificado. Tampouco dizem que o homem deve crer e fazer algo antes que possa ser salvo. A Palavra do Senhor menciona a fé de maneira clara e definida. Nada além é misturado ou vinculado à condição da fé. Portanto, a Bíblia nos mostra claramente que do ponto de vista de Deus, não há outra condição para a salvação além de crer.
Um dos livros mais lidos e apreciados no Novo Testamento é o Evangelho de João. Se alguém o ler cuidadosamente, verá que João escreveu esse livro com o único propósito de dizer-nos como o homem pode receber vida e ser salvo e como pode ser libertado da condenação. O Evangelho de João menciona oitenta e seis vezes que é por fé somente, e por nada mais, que o homem recebe a vida, é justificado, e não entra em condenação. Portanto, a Bíblia nos mostra clara, adequada e simplesmente que a salvação não é baseada no que o homem é, no que ele tem tampouco no que fez. A Bíblia nos mostra que quando o homem crê, ele recebe (Jo 1:12). Ele recebe por meio de crer.
Dissemos que a salvação e a redenção são realizadas por Deus. Mesmo a maneira e o plano para cumpri-las são arranjados por Deus. Também vimos que a graça é cumprida por Deus por meio do Senhor Jesus. Temos de lembrar que se do lado de Deus é graça, então do nosso lado deve ser fé. Se estendo minhas mãos para dar uma xícara de chá a um irmão, ele não pode recebê-la estendendo seus pés. A maneira que os outros utilizam para dar-lhe algo deve ser a mesma que você usa para recebê-lo deles. A maneira de receber deve ser a mesma usada para dar. Se as pessoas o chamam pelo telefone, então você tem de responder usando o telefone. Se lhe escreverem uma carta, você tem de receber a carta. A maneira como algo é recebido deve ser a mesma como foi enviado.
De acordo com a Bíblia, graça é o que Deus nos deu por intermédio de Jesus Cristo (1 Co 1:4). Para Ele, fazer isso está no princípio da graça. Uma vez que esteja no princípio da graça do lado de Deus, então, do nosso lado, está no princípio da fé. Fé e graça são dois princípios inseparáveis. Graça é Deus dando algo a nós, e fé é o nosso receber algo da parte de Deus. Fé nada mais é que receber o que Deus nos deu em espírito. Isso é totalmente independente de obra. Somente dessa maneira o homem pode receber a graça de Deus. Se recorrermos a quaisquer outros meios, não seremos capazes de receber a graça de Deus.
Embora a Bíblia nos mostre que é pela fé que se recebe a graça de Deus, muitas doutrinas têm surgido como resultado da má interpretação por parte do homem. O homem cria teorias baseadas em seus próprios pensamentos e em sua mente obscurecida. Elas envolvem o que ele deve fazer para que seja salvo. Assim como o homem tem criado ídolos com seu coração tortuoso e os considera deuses, da mesma forma ele tem estabelecido condições para a salvação com seu coração tortuoso e pensamentos obscurecidos. Por essa razão, devo chamar sua atenção para as diferentes condições que o homem estabeleceu para a salvação e considerar se esses caminhos de salvação são confiáveis ou não. Se o homem não vê a verdade de Deus e não compreende Sua Palavra, ele não perceberá que a condição para salvação é a fé. Contudo, se o homem vê a luz de Deus e compreende a verdade de Deus, ele não será capaz de contrariar o fato do Novo Testamento de que a salvação é mediante a fé. O problema hoje é que depois de reconhecer a fé como a condição da salvação, ele adiciona algo mais à fé. A controvérsia entre Deus e o homem não é a de crer ou não crer, mas é a de crer com arrependimento, crer com as obras da lei, crer com batismo, ou crer com testemunho, como um pré-requisito para a salvação. A Palavra de Deus diz-nos que uma vez que creiamos, somos salvos. Porém, o homem hoje acrescenta a palavra com. De acordo com sua mente obscurecida, ele proclama que o homem é salvo mediante a fé com alguma coisa. O que iremos considerar não é se alguém pode ser salvo pela fé. Essa questão já está resolvida. A questão hoje é se a fé é suficiente ou não. Precisamos adicionar com à fé para que sejamos salvos?
A SALVAÇÃO NÃO É A FÉ COM AS OBRAS DA LEI
A primeira questão é se o homem é salvo por meio da fé com o guardar da lei. A maneira do homem para a salvação é a fé mais o guardar a lei. Já falamos sobre a questão da lei, mas vamos repetir novamente. A Bíblia dedica muito tempo para tratar dessa questão. Os pregadores, portanto, também devem dedicar muito tempo para lidar com essa questão. Visto que o homem presta muita atenção à lei, a Bíblia dedica dois livros para tratar desse problema. Temos de conhecer o motivo pelo qual Deus deu a lei. Deus deu a lei aos israelitas, não para que a guardassem, mas para expor seus pecados. Originalmente, os israelitas tinham pecados, mas estes não se haviam tornado transgressões. De Adão a Moisés, o homem tinha pecados (Rm 5:14), mas não tinha qualquer transgressão. Deus deu a lei para tornar os pecados do homem em transgressões (Rm 5:13, 20a).
Como foram os pecados do homem transformados em transgressões? Suponha que haja uma pessoa que tem a disposição e o temperamento de caminhar de um lado para outro, do lado de fora do salão de reuniões, todos os dias. É algo que ele gosta de fazer. Ele tem de fazer isso todos os dias, todas as semanas, todos os meses e todos os anos. Ninguém consegue explicar por que ele faz isso. Mas em seu temperamento, disposição e vida, há tal coisa que o impele a andar de um lado para outro, do lado de fora do salão de reuniões. Embora ele tenha esse hábito, não podemos dizer que isso signifique qualquer transgressão. Você pode não gostar do que ele faz e pode achar que esteja errado, mas ele não tem percepção de que isso está errado. Quando ele perceberá que é errado? Suponha que você tome duas fitas vermelhas brilhantes e as amarre naquele espaço obstruindo a passagem. Quando ele vier no dia seguinte, verá as duas fitas e perceberá que não deve passar por elas. Seu hábito sempre foi o de andar por ali. Há algo nele que o compele a andar por ali. Suponha que ele dê uma olhada nas duas fitas e contemple a cor brilhante, a textura de seda, o belo laço, e em seguida as desamarre e passe direto por elas. Nesse caso, o seu caminhar é diferente do anterior. Seu caminhar anterior era um pecado sem transgressão. Agora é o mesmo caminhar, mas ele caminha em transgressão.
Deus diz que a lei é perfeita. Ela é boa, justa, santa e excelente
(Rm 7:12). Contudo, o homem é cheio de pecado. Ele é cheio de pecado por dentro e por fora. Entretanto, de Adão a Moisés, embora o homem tivesse pecado, ele não tinha transgressões. Deus estabeleceu a lei, não para que o homem não pecasse, mas para expor os pecados do homem e torná-los em transgressões. Hoje a lei está aqui. Uma vez que uma pessoa quebre a lei, ela percebe que pecou. Portanto, podemos dizer que Deus deu a lei ao homem não para que este a guarde, mas para que veja que pecou. Quando não havia a lei, ele não percebia que tinha pecado. Agora ele sabe.
O estranho é que o homem toma a lei, que está ali para provar seu pecado, a fim de tentar provar que é justo. Ele inverte o objetivo da lei. Deus quer que pela lei saibamos que pecamos, mas nós queremos provar pela lei que somos justos. Deus quer mostrar-nos pela lei que estamos perecendo, mas queremos provar pela lei que estamos salvos. O homem não se enxerga. Seus pensamentos estão cheios da lei. Ele não vê que é corrompido interiormente e que não consegue guardar a lei. A carne do homem não consegue guardar a lei de Deus. Ela não se submeterá à lei de Deus. Entretanto, o homem ainda quer procurar justiça na lei e ganhar vida por meio dela. Deus usa a lei para mostrar ao homem que ele está desamparado e que necessita receber a salvação. Mas quando ele vê as ordenanças, tenta obter um pouco de justiça por meio delas e ser salvo. Romanos 3:19 diz: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus”. Esse versículo diz que a lei foi dada com o fim de calar toda boca, para que ninguém possa dizer qualquer coisa, e para que todos estejam sujeitos ao julgamento de Deus. Em seguida, há um veredito com respeito a nós: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (v. 20). Pode-se ver que a intenção original da lei foi expor o pecado, não justificar o homem. Está muito claro que o propósito da lei de Deus era expor o pecado e não estabelecer nossa própria justiça.
No Antigo Testamento, Deus não somente deu a lei ao homem, como também os tipos, os quais eram as leis cerimoniais. Elas explicavam como alguém deveria oferecer sacrifícios e como pagar o valor para a expiação. Essas questões tipificam o cumprimento da redenção do Senhor Jesus e da Sua subseqüente salvação para nós no Novo Testamento. Isso é o que Deus nos tem mostrado. É tão estranho que o homem tente estabelecer sua própria justiça não só por meio da lei, mas também por meio desses tipos. Ele tenta estabelecer sua justiça por meio dessas ordenanças. Nós até mesmo encontramos um fariseu que, orando, dizia que jejuava duas vezes por semana e que ofertava a Deus a décima parte do que possuía (Lc 18:11, 12). Ele pensava que essa era a sua justiça e que por meio dela poderia ser salvo. O homem não vê o propósito pelo qual Deus estabeleceu a lei. Ele compreende mal o propósito de Deus. O homem duvida que seja tão fácil ser salvo. Ele acha que é verdade que o homem de fato é salvo por crer no Senhor Jesus. Nós, que somos cristãos, acima de tudo reconhecemos a necessidade de crer. É correto crer, mas muitos dizem que deveríamos também guardar a lei. O que o homem está dizendo hoje não é se alguém pode ser salvo pela lei ou não. O que ele está dizendo é que os que crêem em Jesus devem também guardar a lei para ser salvos. A fé em Jesus é uma doutrina indiscutível na Bíblia. Contudo, os cristãos dizem que se deve acrescentar a isso o guardar a lei. O homem não vê que crer em Jesus e guardar a lei são duas coisas totalmente contraditórias. Elas jamais podem ser juntadas. A diferença entre a fé em Jesus e as obras da lei é a mesma entre o céu e o inferno. Assim como o céu é imensamente diferente do inferno, a fé em Jesus é imensamente diferente das obras da lei.
A quem foi dada a lei? Foi dada aos judeus. Por que, então, o Novo Testamento menciona repetidas vezes o guardar a lei? No Novo Testamento, os apóstolos, ou melhor dizendo, o Espírito Santo, sabia claramente que seus leitores podiam não ser necessariamente todos judeus. Somente uma minoria dos que creram em Jesus bem no início eram judeus. Alguém perguntou-me certa vez: “Você diz que os judeus são os que receberam a lei. Mas quem são os judeus?” Eu lhe disse que os judeus eram como porquinhos-da-índia. Quando um pesquisador de produtos farmacêuticos não tem segurança sobre um remédio, ele não o experimentará em seres humanos. Em vez disso, ele primeiramente o injeta em porquinhos-da-índia. Se os porquinhos-da-índia morrem imediatamente, então o remédio não pode ser utilizado. Somente após o remédio provar que é eficaz é que será injetado em seres humanos. O mesmo é verdade para remédios administrados por via oral. Primeiro, ele é dado aos porquinhos-da-índia. Se funcionar, então o remédio é usado. Caso contrário, ele é descartado. O mesmo é feito para imunização contra bactérias. Se funcionar no porquinho-da-índia, funcionará no homem. Se não funcionar no porquinho-da-índia, não funcionará no homem. Eu diria, do modo mais respeitoso possível, que os judeus são os porquinhos-da-índia. Deus testou a lei nos judeus. Se os judeus pudessem cumpri-la, então poderia ser usada. Se não pudessem cumpri-la, então ela não poderia ser usada. Deus aplicou a lei nos judeus e eles não conseguiram cumpri-la. Isso significa que o mundo todo não pode cumpri-la. Os judeus foram selecionados por Deus como objetos de uma experiência. Os judeus são os representantes do homem no mundo todo. Portanto, vê-se que a lei foi oficialmente dada aos judeus. Mas o princípio da lei é dado a todos os homens. É dado a toda carne. Deus deu a lei ao homem para preveni-lo de que o homem é proveniente da carne e é carnal.
Que é o cristianismo? O cristianismo não diz aos filhos de Adão que façam o bem. Isso não é o cristianismo. O cristianismo diz que Adão está crucificado e eliminado, e que a raça adâmica é aniquilada pela cruz do Senhor Jesus. O homem em Cristo recebe uma nova vida e torna-se uma nova raça. A lei é inútil para a nova raça, pois não existe coisa semelhante à lei na nova raça. A lei foi dada por Deus aos filhos de Adão para expor os seus pecados. Se alguém quiser ser salvo por guardar a lei, ele deve perceber a séria conseqüência das palavras guardar a lei. Uma vez que o homem guarde a lei, ele obterá justiça. Contudo, essa justiça será proveniente da carne. Em outras palavras, significaria que os filhos de Adão, isto é, a raça adâmica, não precisam morrer. Significaria que o homem pode agradar a Deus com sua carne. Talvez alguém argumente que o homem não pretende guardar toda a lei, que ele compreende que é impossível guardá-la na sua totalidade, que o que ele pretende é crer em Jesus, e então, guardar a lei. Todavia, se a obra da lei tiver uma milionésima fração de aceitação diante de Deus, isso significa que Adão não precisaria morrer. Isso anularia a própria natureza do cristianismo. O cristianismo não está aqui para estabelecer uma base para Adão. Não está aqui para manter a velha criação. Ele está aqui para transferir-nos para a nova criação. Somos carne, e não podemos obter a justiça que provém de guardar a lei.
Desde a queda do homem, havia o querubim e a espada flamejante guardando a árvore da vida no jardim do Éden (Gn 3:24). Por que o querubim e a espada flamejante estavam guardando o caminho para a árvore da vida? Para evitar que o homem comesse da árvore da vida. Após o homem ter se tornado pecador e ter comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, não havia outro caminho para ele voltar à árvore da vida e comer do seu fruto exceto ser julgado pelo querubim e morto pela espada flamejante. Deus nos mostra que o homem não pode comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e ao mesmo tempo comer do fruto da árvore da vida. O homem não pode comer de ambos. O homem não pode receber a semente do pecado em uma das mãos e tomar a salvação do Senhor na outra.
Aqui reside a diferença entre o cristianismo e o judaísmo. O judaísmo diz ao homem na carne que pelo fato de guardar a lei ele viverá. Mas o cristianismo diz que ele não pode viver, pois não consegue guardar a lei. O cristianismo afirma claramente que o homem não consegue fazê-lo. Não há possibilidade de ele guardar a lei. Portanto, podemos ver que no Antigo Testamento, Deus deu a lei para que o homem a guardasse. No Novo Testamento, vemos que o homem não consegue guardar a lei de modo nenhum, tampouco deve guardá-la. Essa é uma das maiores verdades na Bíblia. Agora o perigo é que se juntamos a fé com a lei, anulamos o princípio da Bíblia. Imediatamente Adão terá a base, e o homem carnal será capaz de viver novamente. O julgamento de Deus é que o homem deve morrer. Por meio de Jesus Cristo, Deus eliminou o homem. Ele não quer que o homem carnal consiga coisa alguma. Hoje, se o homem ainda tenta produzir algo a partir da carne, ele subverte o princípio do Novo Testamento. Se for dado terreno à lei, então a carne também terá terreno. Mas Deus diz que a carne não tem terreno, que todos os terrenos foram removidos.
Podemos indagar se isso é anular a lei. Precisamos lembrar que, de acordo com a Bíblia, a lei exige duas coisas de nós. Primeiro, a lei diz que aquele que a guardar, viverá (Rm 10:5). A lei requer que a guardemos e façamos algo. Uma vez que o homem a guarde, obterá justiça. Se tivermos justiça, teremos a recompensa, que é a vida. Mas há um segundo aspecto. A lei diz que no dia em que comermos da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreremos (Gn 2:17). Por um lado, a lei requer que o homem guarde algo. Por outro, sua punição é a morte para todos os que não guardam a lei. Todos os que não guardam a lei recebem a retribuição por não guardar a lei. Portanto, no Antigo Testamento, em princípio, vemos que a lei exigia que o homem a guardasse e que fosse justo. Os que não a guardassem eram condenados e punidos.
Em Xangai, o departamento de Trânsito tem muitas leis. Por exemplo, para dirigir ao escurecer, a pessoa deve ter faróis na sua bicicleta. Se não houver farol na bicicleta, então haverá uma multa de sessenta centavos. Esse regulamento requer duas coisas: que a pessoa instale um farol e que aqueles que não o fizerem sejam punidos. Que é, então, anular a lei? Anular a lei significa que alguém não tem um farol e tampouco tem de ser punido. Que é guardar a lei? Guardar a lei é satisfazer uma das exigências. Os que têm um farol, estão guardando a lei. Os que não têm um farol, mas estão dispostos a pagar sessenta centavos, também estão guardando a lei.
O problema hoje é que não conseguimos guardar a lei. A lei de Deus requer que sejamos justos. Se não somos justos, então falhamos. Somente sendo justos podemos viver. Mas nenhum homem é capaz de guardar a lei. Ninguém entre nós pode ter justiça diante de Deus pelo fato de guardar a lei. Uma vez que o homem toque a lei de Deus, ele falhará. Paulo disse em Romanos 7:7 que mesmo que Deus tivesse somente uma lei, o homem não seria capaz de guardá-la. Paulo não transgredia todas as leis. Ele mencionou somente uma lei, acerca da cobiça. Na lingua original, a cobiça é concupiscência. Paulo disse: “Estou desamparado. A concupiscência insiste em voltar todas as vezes. Para mim é impossível não ter concupiscência”. Ele não podia fazer o farol da sua bicicleta funcionar, contudo ele tinha de andar pela cidade. Para alguns, o problema não é que o farol não funciona. Eles simplesmente não querem ter a luz. Essas pessoas nem mesmo querem acender o farol. Que é anular a lei? É quando alguém argumenta com Deus dizendo: “Ó Deus, não posso guardar Sua lei hoje. Por favor, deixe-me ir, por conta do Senhor Jesus. Fiz o melhor que pude. Por favor, não me castigue”. Todos que suplicam ao Senhor Jesus, que seja brando, ou a Deus, que tenha misericórdia deles, estão anulando a lei. Por um lado, eles não querem guardar a lei. Por outro, não querem a punição da lei. Eles não querem ter o farol, contudo, ao mesmo tempo, querem evitar a multa de sessenta centavos. E quanto a nós hoje? Temos nossos faróis? Se temos os faróis, então podemos andar sossegados pela cidade. Mas nenhum de nós é capaz de ter o farol. Portanto, a única maneira é pagar os sessenta centavos. Isso é o que o Senhor Jesus fez por nós. Esse é o julgamento que experimentamos em Cristo. Devemos dizer: “Louvamos e agradecemos ao Senhor, pois já fomos julgados em Cristo!” Fomos punidos em Cristo. Deus já nos puniu em Cristo. Uma vez que o Senhor Jesus morreu, ressuscitou e ascendeu, a salvação que agora recebemos é equivalente à que obteríamos se guardássemos a lei. Aqueles que têm o farol, estão livres. Os que foram punidos também estão livres. Hoje, se um homem conseguir guardar todas as leis, ele será justificado e será salvo, da mesma maneira que nós, os que cremos em Jesus, somos salvos e justificados. É claro que não somos apenas salvos quando cremos em Jesus; ao salvar-nos, o Senhor Jesus concedeu-nos muitas outras coisas além de conceder-nos também a lei.
Paulo disse em Romanos 3:31: “Anulamos, pois, a lei, pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei”. Portanto, quando somos salvos pela fé em Jesus, não anulamos a lei. Uma vez que encontramos a exigência da lei em nós, a lei nada tem a dizer. Nunca pense que deveríamos adicionar a obra da lei à nossa fé. Para nós, crer é como pagar os sessenta centavos. Para nós, guardar a lei é como ter o farol. Ninguém no mundo inteiro teria o farol e pagaria sessenta centavos ao mesmo tempo. Isso é ilógico. Por que alguém teria de pagar sessenta centavos e ao mesmo tempo ter o farol? Se ele pode ter o farol, então não tem de pagar os sessenta centavos. Se existir a palavra da fé, então não pode haver a lei. Se existir a lei, não pode haver a palavra da fé. Ninguém pode ter a fé e guardar a lei ao mesmo tempo, pois fazer isso seria desprezar o Senhor Jesus. Isso significaria que a pessoa não consegue ver sua completa fraqueza e imundícia.
Por favor, leia novamente Gálatas 2:16, 17: “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei, ninguém será justificado. Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, dar-se-á o caso de ser Cristo ministro do pecado? Certo que não”. O livro de Gálatas nos mostra que alguns na Galácia contendiam sobre não ser suficiente o homem ser justificado pela fé no Senhor Jesus; ele ainda devia guardar a lei. Eles não estavam dizendo que o homem não deveria crer. Eles certamente reconheciam que um homem é justificado em Cristo. Mas estavam dizendo que ele ainda precisava guardar a lei. Paulo estava dizendo uma palavra muito dura aqui. Ele estava dizendo que se enquanto procuramos ser justificados em Cristo somos achados pecadores, significa que após termos crido no Senhor Jesus, nós ainda não fomos justificados, ainda somos pecadores, e ainda devemos guardar a lei para ser salvos. Por exemplo, suponha que eu esteja doente e passe dez dias sob os cuidados de um médico. Depois disso, porque a doença ainda permanece, tenho de consultar outro médico. Se busco ser justificado em Cristo e ao mesmo tempo tento guardar a lei, significa que ainda sou um pecador e que ainda não fui salvo. Se já não sou pecador, então nunca mais deveria guardar a lei. Se ainda sou pecador, Cristo é ministro do pecado? Paulo perguntava: Se ele não era justificado depois de ter crido no Senhor Jesus, aquilo significava que Cristo era um ministro do pecado? A resposta é: “De modo nenhum!” No Novo Testamento, Paulo disse “De modo nenhum” muitas vezes. No grego, essa é uma expressão peculiar. É traduzida na versão King James como “Deus não permita”. É equivalente à expressão “os céus não permitam”, uma palavra muito forte. Isso significa que até mesmo os céus rejeitariam isso. Não há razão debaixo do sol para que isso sucedesse. Portanto, está claro que o homem não pode ter fé em Jesus e ao mesmo tempo guardar a lei.
Em Romanos 3, Paulo fez outra afirmação clara. O versículo 28 diz: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”. Essa é uma afirmação conclusiva. Agora é uma questão de fé. Nada tem a ver com a lei, absolutamente. Graças ao Senhor! Jesus é suficiente. Para a Bíblia, dar atenção à fé é dar atenção à graça de Deus. Isso nos mostra que tudo vem pelo receber. Alguns gostam de exaltar os homens em sua pregação do evangelho. Mas se conhecemos a Bíblia, veremos que fora de Deus o homem é totalmente desamparado. Lembre-se, destas duas sentenças: o homem não é salvo pela lei, tampouco é salvo pela fé com a lei. Este é o primeiro e mais comum engano do homem. O homem misturou a fé com a lei.
A SALVAÇÃO NÃO É A FÉ COM BOAS OBRAS
“As obras da lei” é uma expressão que encontramos na Bíblia (Gl 2:16). Já tratamos desse aspecto. A compreensão mais freqüente da condição da salvação é que a salvação é pela fé e também pelas obras. Salvação pela fé é uma doutrina da Bíblia, e o homem não pode argumentar contra ela (Ef 2:8). Contudo, o homem diz que ela é também pelas obras. Consideremos agora o que a Bíblia diz sobre isso. Freqüentemente somos brandos e complacentes em nosso falar, mas a Bíblia não é branda no seu falar. Ela é muito precisa. Efésios 2:8 e 9 dizem: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. Aqui ela nos diz que a salvação é absolutamente pela graça e mediante a fé. A palavra mediante significa atravessar. É como dizer que a luz elétrica brilha pela eletricidade e mediante o fio condutor. É também como dizer que a água da torneira vem do reservatório no departamento de águas e mediante os encanamentos. O homem é salvo pela graça, mas o canal mediante o qual a salvação vem a nós é a fé. O canal não são as obras, mas a fé. É mediante a fé e nada tem a ver com as obras. Não é adicionar a fé às obras. É preciso saber que a fé e as obras são basicamente opostas entre si. A graça do Senhor Jesus é baseada no amor de Deus. Quando cremos, a graça e o amor fluem para dentro de nós. Como resultado, somos salvos, temos vida, e somos justificados. Nada disso é transmitido a nós por meio das obras.
Graças ao Senhor que não é por causa das obras! Por que deveria sê-lo? A resposta aqui é que ninguém deve vangloriar-se. O que Efésios 1 nos diz é que Deus quer ter toda a glória. É por isso que Ele faz toda a obra. Suponha que certo irmão seja muito capaz e educado e tenha sofrido muito pelo Senhor. Se outro irmão vem a mim e diz: “Irmão Nee, eu louvo você e o glorifico pela excelente obra que esse irmão realizou”, certamente diríamos que ele está mentalmente doente. A glória só pode ir para aquele que realizou a obra. Não existe tal coisa no mundo, como alguém trabalhar e outro receber a glória. Os que trabalham merecem o pagamento. Quem quer que trabalhe, este mesmo recebe a glória. Por que Deus fez toda a obra de nos salvar? É para que Ele tenha toda a glória. A razão de Deus nos ter concedido a graça é que Ele receba toda a glória. Ele não quer que trabalhemos para que não nos vangloriemos. Vangloriar-se é glorificar a si mesmo. Se fizermos qualquer coisa que mereça alguma glória, não agradeceremos nem louvaremos a Deus diante Dele. Imediatamente diremos: “Sem dúvida, a salvação é concedida a mim por Ti. É a Tua obra. Mas acrescentei minha parte a ela. Se não tivesse acrescentado minha parte, não seria como sou hoje”. O homem gosta de superestimar seus próprios méritos. Ele gosta de superenfatizar suas próprias virtudes. Se Deus dissesse que cumpriria noventa e nove por cento da obra da salvação e que deixaria um por cento para nós, este um por cento silenciaria os céus. Os anjos não louvariam mais, e as pedras não clamariam mais. Em vez de as pedras se tornarem os filhos de Abraão, os filhos de Abraão tornar-se-iam as pedras, pois de cem por cento, alguns reivindicariam um por cento. Eles, então, contariam a maravilha de sua própria obra e diriam: “Eu passei por aquilo desta maneira ou daquela maneira. Como você conseguiu passar? Qual foi sua contribuição?” Cada um estaria se gabando de sua própria obra e Deus não teria possibilidade de obter a glória.
Agradecemos e louvamos ao Senhor! Uma vez que Ele quer obter toda a glória, Ele não deixou uma única coisa para fazermos. Quando alcançarmos o céu, teremos de dizer que ainda somos pessoas desamparadas. Somos capazes de chegar lá por causa da graça “gratuita”. Essa palavra “gratuita” calará no céu todas as súplicas e o encherá com ações de graça e louvor. Tudo será ações de graça e louvor, porque tudo é realizado por Deus. Devemos ver que esta é a verdade da Bíblia. A obra do homem e a graça de Deus não podem ser misturadas. Uma vez que o homem trabalhe, isso entra em conflito com a glória. Portanto, se estou na rua, em minha casa, ou na reunião do partir o pão, posso dizer de coração: “Deus, agradeço e louvo a Ti, porque nada tenho a ver com minha salvação. Minha salvação provém cem por cento de Ti. Portanto, que posso fazer senão louvar a Ti?” Deus se agrada do louvor. A Bíblia chama determinado tipo de oração de repugnante, mas a Bíblia nunca chama qualquer tipo de louvor de repugnante. Algumas orações são rejeitadas por Deus, mas Deus nunca rejeita qualquer louvor. Deus quer ter toda a glória, pois Ele realizou toda a obra.
Isso significa que podemos ser relaxados e que não precisamos mais fazer o bem? Efésios 2:10 explica: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Os versículos 8 e 9 nos mostram o que Deus fez por nós objetivamente. O versículo 10 imediatamente nos mostra as questões subjetivas. Deus não nos salvou de maneira tola. Ele nos deu nova vida, nova natureza e novo espírito interiormente. O Senhor Jesus está vivendo em nós por meio do Espírito Santo e nos preparou para toda boa obra. Lembre-se de que Deus não incluiu essas boas obras nos dois versículos anteriores. Não importa quantas boas obras você tenha feito após ser salvo. A salvação ainda provém da graça. Não importa quão rápido você avance espiritualmente, pois a salvação ainda provém da graça gratuita do Senhor Jesus. Mesmo que tenha uma obra como a de Paulo, um resultado como o de Pedro, amor como o de João, e sofrimento como o de Tiago — mesmo que tenha todas estas quatro coisas — você ainda é salvo por meio da graça gratuita. No futuro, embora sua obra possa mostrar que é salvo, ela jamais será sua condição para salvação. Minha fé não significa muito. Ela é apenas um receptor da obra de Deus.
O homem não é salvo por obras. Ninguém pode argumentar contra isso. Mas o homem é muito miserável. Por ser seu coração obscurecido e cheio de pecado, por ser sua carne má e cheia da lei, embora ele reconheça a fé, ele pressupõe que deve também adicionar obras. O homem não vê que é depois de ser salvo pela fé que alguém tem as obras. A salvação nada tem a ver com obras. Não estou dizendo que não precisamos das obras. Nós damos atenção à obra. Contudo, essa não é a condição para a salvação. A salvação é um problema totalmente diferente. Não devemos esquecer que a Bíblia diz que se dermos mesmo uma pequena atenção à obra, a graça de Deus é anulada (Gl 2:21). Uma vez que é graça, ela deve provir somente da fé e não da obra.
Romanos 4:4 e 5 diz: “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim, como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça”. Agora temos clareza. Se um homem pode ser salvo por obras, então a salvação torna-se uma recompensa. Não é mais a graça, mas torna-se algo que a pessoa merece. Se é algo que alguém merece, então não mais é gratuito. A palavra gratuitamente na Bíblia (Rm 3:24), significa na língua original sem motivo. Em outras palavras, não existe razão para isso. O Senhor Jesus disse no Evangelho de João: “Odiaram-Me sem motivo” (15:25). Na língua original, pode significar: “Eles odiaram-Me gratuitamente”. O Senhor nunca fez nada para merecer aquele ódio, mas eles O odiaram assim mesmo. Não havia uma razão para isso. Era gratuito. A graça de Deus naqueles três anos e meio foi dada gratuitamente a nós.
Somos como o filho mais novo em Lucas 15. Um dia chegamos a Deus e dissemos: “Deus, dá-me a parte da herança que cabe a mim”. Deus nos deu o que deveríamos ter. Após tomarmos nossa herança, desperdiçamo-la com más companhias. Hoje, voltamos à casa do Pai. A veste que usamos, nossos anéis, sandálias e o novilho cevado que comemos não são o que merecemos. Já gastamos o que era nosso por direito. Não merecemos o anel. Não merecemos a veste. Não merecemos comer o novilho cevado, e não merecemos usar as sandálias. Que é, então, graça? Quando os que não merecem ser salvos são salvos, isso é graça. Graça é o que aqueles que não deveriam obter, obtiveram. Aquilo que o filho mais novo levou da primeira vez não era graça. Ele já o gastou. O que ele recebeu da segunda vez foi totalmente graça. Sua própria porção foi gasta há muito tempo. Quando ele desfruta outra comida em casa, que não é aquela que ele merecia ter, isto é a graça do Pai.
Portanto, se alguém trabalha, a questão do salário passa a existir, e não é mais graça. A graça está em conflito com o que alguém merece. Como, então, opera a fé? Quando não é obra ou labor, mas somente a fé no Deus que justifica o pecador, essa fé é imputada como justiça. Esta é a relação entre fé e graça. Se é obra, então não é graça. Se é graça, então existe somente a fé. Crer é aceitar o que Deus realizou. Não é quanto eu tenha feito. Devemos enfatizar que, diante de Deus, não somos justificados por aquilo que realizamos. Somos justificados pela fé. Hoje temos a justificação pela fé. Portanto, a questão da obra terminou para sempre.
Todos os que me conhecem bem sabem que gosto de molho de soja. Se não houver muitos pratos à mesa está tudo bem, contanto que eu tenha molho de soja, posso passar muito bem. Certa vez, alguém que me servia viu que meu molho de soja estava quase no fim. Ele foi ao mercado e comprou mais. A seguir misturou-o com o molho de soja bom. Quando experimentei, notei que o sabor era diferente. Perguntei por que o molho de soja estava com um sabor diferente aquele dia. Verifiquei com o que servia se ele havia posto o molho de soja da mesma garrafa. Ele respondeu que sim. Eu queria descobrir se meu paladar havia mudado. Parecia pouco provável. Então perguntei-lhe se havia misturado com alguma coisa mais. Ele teve de admitir que tinha. Hoje, o homem faz a mesma coisa com a obra de Deus e a Sua graça. Ele tenta misturar algo mais a elas. Uma vez que misturamos algo dessa maneira, a graça se torna algo diferente da graça. Isso é porque Deus diz que se é proveniente da graça, então não mais é proveniente da obra (Rm 11:6). Se é proveniente de obra, então não mais é proveniente da graça. A obra jamais pode ser misturada com a graça. Portanto, não apenas devemos dizer que a salvação é proveniente da fé, mas dizer que a salvação é proveniente unicamente da fé.
Amo Romanos 3:27. Essa palavra é baseada nos versículos 25 e 26. Ali diz como o Senhor Jesus se tornou um lugar de propiciação e como Deus justificou os que crêem Nele. Não é injusto que Deus faça isso. Portanto, o versículo 27 diz: “Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída”. Não há maneira de nos vangloriarmos. Não há mais possibilidade de nos gabarmos. A frase seguinte é muito importante. Ela diz: “Por que lei?” Isso significa que não temos mais nada de que nos gabar. Por qual maneira estamos livres de nos vangloriar? Por qual princípio estamos livres de nos gabar? O versículo 27 continua: “Das obras? Não, pelo contrário, pela lei da fé”. Paulo perguntou como o homem pode ficar livre de se gabar e como a jactância pode ser removida. Sua resposta é pelo princípio da fé. Se alguém estiver no princípio da fé, então ele não estará no princípio das obras. Se é pelo princípio das obras, então a jactância não pode ser excluída. Mas agradecemos ao Senhor. Hoje, temos o princípio da fé. Portanto, não podemos gabar-nos. Podemos somente louvar.
Filipenses 2:12 diz: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”. Muitos nos têm dito que Paulo disse explicitamente em Filipenses que temos de desenvolver nossa própria salvação. Se temos de desenvolver nossa salvação, isso não significa que temos de fazer alguma coisa? É verdade que o Senhor realizou a obra, mas o homem também tem de fazer algo. É como dizer que Ele supre o material, nós suprimos o trabalho, e com os dois, desenvolvemos nossa salvação. Uma pessoa diz isso porque não compreende a palavra da Bíblia. Se temos de complementar nossa salvação, então, que o Senhor Jesus fez na cruz? Que Ele cumpriu na cruz? Se algo foi cumprido, não pode ser cumprido novamente. Se você é filho de Deus, não pode tornar-se filho de Deus novamente. Na cruz, o Senhor Jesus disse claramente: “Está consumado!” (Jo 19:30). A cruz do Senhor Jesus cumpriu a obra da salvação. Ela cumpriu a obra de redenção. Uma vez que a obra da salvação e da redenção foram cumpridas, não há mais possibilidade de desenvolvermos essa salvação. Se ainda quisermos desenvolver nossa salvação, devemos primeiro destruir a obra do Senhor na cruz. Devemos declarar que a obra do Senhor Jesus não foi consumada, que a obra do Senhor não foi concluída. Eis por que temos de desenvolvê-la.
Muitas vezes, não sabemos o que significa envergonhar os outros. Mas uma vez que tenha experimentado isso, você saberá o que é. Por exemplo, aqui está uma irmã. Alguém pediu a ela que lavasse alguns lenços. Após tê-los lavado, ela os pendura para secar. Mas outra pessoa vem e leva os lenços embora. Quando ela pergunta o motivo, é-lhe dito que foram tirados para ser lavados. Essa é uma vergonha pública para a irmã, pois isso significa que a outra pessoa não acredita que os lenços foram lavados. Significa que eles acham que a irmã mentiu. Da mesma forma, desenvolvermos nossa salvação não é uma glória para Cristo, mas uma vergonha para Cristo. A Bíblia diz claramente que Cristo completou toda a obra.
Por que, então, Filipenses 2:12 diz que devemos desenvolver nossa salvação? A palavra desenvolver na língua original carrega o significado de para fora. Devemos operar para fora nossa salvação em temor e tremor. A palavra de Paulo parou aqui? Se tivesse parado aqui, não saberíamos o que ele quis dizer. O que se segue é o versículo 13, que diz: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Uma vez que Deus operou em você, agora você o desenvolve. Se Deus não operou em, não temos como operar para fora. Desde que Deus tenha operado em, podemos operar para fora. Deus já nos salvou interiormente e nos deu vida. Agora não há outra maneira, exceto deixá-lo vir para fora. Deus não quer que trabalhemos. Ele quer que operemos para fora. Portanto, essa não é uma questão de salvação ou perdição, vida eterna ou morte eterna. Essa é uma questão de se alguém recebe ou não recompensa após sua salvação. Deus já operou em você, levando-o a querer e realizar pelo Seu bom prazer. Portanto, você tem de desenvolvê-la. Esta é a condição adequada de um cristão. Em outras palavras, esta é nossa obra após a salvação. Se um homem ainda não foi salvo, ele não pode desenvolver sua salvação. Se um homem não tem vida, ele não pode expressá-la. Somente após o homem ter sido salvo, ele pode desenvolver sua salvação. Portanto, vê-se que não existe tal coisa como ser salvo por meio de boas obras.
A DIFERENÇA ENTRE A VIDA ETERNA E O REINO
Há uma coisa que precisa estar clara para nós. Ter vida eterna é diferente de entrar no reino dos céus. Todos os que não conseguem ver a diferença entre vida eterna e o reino dos céus jamais terão clareza acerca do caminho da salvação e do caminho da preservação. O Senhor Jesus disse que de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por violência (Mt 11:12). Os violentos o tomam. A lei e as profecias dos profetas terminaram com João (11:12, 13). Baseados nessa palavra, alguns têm dito que precisamos ser violentos, isto é, devemos esforçar-nos para ser salvos. Se não nos esforçarmos, não seremos salvos. Uma pessoa diz isso porque não consegue dizer qual a diferença entre o reino dos céus e a vida eterna. Existe uma diferença entre a vida eterna e o reino dos céus.
A primeira diferença entre ambos é em relação ao tempo. A vida eterna é para a eternidade, mas o reino não é para a eternidade. Quando o novo céu e a nova terra vierem, o reino dos céus passará. O reino dos céus denota o governo de Deus. O período do governo de Deus é o período do reino dos céus. A soberania de Deus na terra e Seu governo sobre a terra serão manifestados por somente mil anos. Que são os céus? O livro de Daniel fala sobre o governo dos céus (7:27). Portanto, o reino dos céus é a esfera na qual os céus governam. Quando o Senhor Jesus vier reger a terra, aquele será o tempo em que os céus governarão. Hoje quem governa a terra é o diabo, Satanás. A política e a autoridade mundial hoje em dia são de Satanás. O Senhor Jesus não reinará senão no período do reino dos céus. Mas o período no qual a autoridade dos céus será efetuada é muito curto. Em 1 Corintios 15:24 é dito: “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder”. O reino será entregue a Deus Pai. Portanto, há um limite temporal para o reino. Contudo, a vida eterna é para sempre. Todo o que lê 1 Coríntios 15 sabe que no início do novo céu e nova terra, isto é, na conclusão do milênio, o reino será entregue. Portanto, há uma diferença temporal entre a vida eterna e o reino dos céus.
A segunda diferença reside no método pelo qual o homem entra no reino dos céus e na maneira pela qual ele obtém a vida eterna. O recebimento da vida eterna é o assunto de todo o Evangelho de João. A maneira de se obter a vida eterna é por meio do crer. Uma vez que cremos, obtemos. Nunca lemos de outra forma. Contudo, entrar no reino dos céus não é uma questão simples. Todo o Evangelho de Mateus menciona o reino dos céus trinta e duas vezes. Nenhuma vez é dito que o reino dos céus é recebido pela fé. Como um homem ganha o reino dos céus? Mateus 7:21 diz: “Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus”. Pode-se ver que a entrada no reino dos céus é mais uma questão de obra do que de fé. Mateus 5:3 também nos diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”. Aqui não diz vida eterna, mas o reino dos céus. Para ter o reino dos céus, a pessoa precisa ser pobre no espírito. O Senhor também diz: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (v.10). Não é necessário ser perseguido para receber a vida eterna, mas o reino é para os que têm sido perseguidos por causa da justiça. Mesmo se um homem tiver a vida eterna, se ele não tem sido perseguido por causa da justiça hoje e não é pobre no espírito, ele ainda pode não ter parte no reino.
Há uma terceira diferença. É quanto à atitude que os cristãos devem ter acerca da vida eterna e do reino dos céus. Com relação à vida eterna, Deus nunca nos disse para procurarmos obtê-la. Pelo contrário, toda vez que é mencionada, Ele nos mostra que já a temos. Entretanto, com relação ao reino, a palavra da Bíblia diz que devemos procurar obtê-lo e buscá-lo diligentemente. Hoje, em se tratando do reino, estamos no estágio de busca; ainda não o obtivemos. Ainda temos de empregar esforço para buscar e persistir em obter o reino.
A quarta diferença reside na maneira como Deus considera o reino e a vida eterna. Deus considera a vida eterna como um presente; ela é dada a nós (Rm 6:23). Não se vê uma pessoa indo ao Senhor para buscar vida eterna. Nunca houve tal coisa, pois a vida eterna é uma graça gratuita; ela é dada por meio do Senhor Jesus para todos aqueles que crêem Nele. Não existe diferença entre alguém que busca e alguém que não está buscando. Contudo, o mesmo não ocorre com o reino. Lembre-se da mãe dos dois filhos de Zebedeu que veio ao Senhor Jesus querendo que o Senhor fizesse com que seus dois filhos se sentassem um de cada lado Dele no reino (Mt 20:21). Mas o Senhor Jesus disse: “O assentar-se à Minha direita e à Minha esquerda não Me compete concedê-lo; mas é para aqueles a quem está preparado por Meu Pai” (v. 23). A graça é obtida uma vez que O invocamos. Mas o reino depende se alguém pode ser batizado em Seu batismo e pode beber o cálice que Ele bebeu. Ambos os discípulos disseram que podiam. Todavia, o Senhor disse que apesar de terem prometido que o fariam, a questão não cabia a Ele decidir. O Pai é Aquele que o concede.
Além disso, o criminoso que foi crucificado juntamente com o Senhor disse a Ele: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no Teu reino”. (Lc 23:42). O Senhor Jesus ouviu sua oração? Sem dúvida que sim. Mas Ele não concedeu seu pedido. O criminoso pediu que o Senhor se lembrasse dele quando o Senhor recebesse o reino. O Senhor Jesus não lhe respondeu que ele estaria com Ele no reino. Pelo contrário, Ele respondeu-lhe: “Hoje estarás Comigo no Paraíso”. (v. 43). O Senhor não lhe respondeu sobre o reino. Mas Ele lhe deu uma resposta com relação ao paraíso. Uma vez que O invoquemos, podemos ir ao Paraíso. Contudo, não é tão simples ir ao reino. Portanto, há uma grande diferença aqui. A atitude de Deus para com a vida eterna e o reino dos céus é diferente: um é o presente de Deus e o outro é a recompensa de Deus.
Com respeito à diferença entre o reino dos céus e a vida eterna, existem outras passagens na Bíblia que são muito interessantes. Agora, chegamos à quinta diferença. Apocalipse 20 mostra-nos que os mártires recebem o reino, embora não diga que sejam os únicos a receberem o reino (v. 4). A Bíblia, entretanto, nunca nos mostra que o homem deva ser martirizado a fim de receber a vida eterna. Se esse fosse o caso, o cristianismo tornar-se-ia uma religião de morte, posto que o homem deveria morrer. Contudo, não se vê coisa semelhante. Entretanto, o reino é diferente. O reino requer esforço. Até mesmo requer o martírio para obtê-lo. Por exemplo, a pobreza é uma condição para o reino dos céus. Para obter o reino dos céus, a pessoa precisa perder suas riquezas. A Bíblia nos mostra claramente que nenhuma pessoa na terra que seja rica segundo seus próprios meios pode entrar no reino dos céus. Não podemos dizer que nenhum rico possa ser salvo. Não podemos dizer que ninguém pode entrar na vida eterna se não quiser perder suas riquezas. Assim como é difícil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, da mesma forma é difícil um rico entrar no reino dos céus (Mt 19:24). Todavia, você já ouviu dizer que por ser impossível um camelo passar pelo fundo de uma agulha, da mesma forma é impossível que um rico seja salvo e tenha a vida eterna? Graças ao Senhor. O pobre pode ser salvo. Assim como o rico pode. O pobre pode herdar a vida eterna e o rico também pode. Contudo, entrar no reino dos céus é um problema para o rico. Se acumularmos riquezas na terra, não seremos capazes de entrar no reino dos céus. É óbvio que isso não significa que alguém tenha de desistir de toda a sua riqueza hoje. Estou dizendo que a pessoa tem de entregar toda a sua riqueza ao Senhor. Somos apenas os administradores. Não somos o dono da casa. A Bíblia nunca reconhece um cristão como o dono de seu dinheiro. Cada um é apenas um administrador do dinheiro que é para o Senhor. Todos nós somos apenas os administradores do Senhor. Existe esta condição para entrar no reino.
Há outra coisa muito peculiar. Não se vê as questões de casamento e família envolvendo a questão da vida eterna. Mas o evangelho de Mateus diz que alguns não se casam por causa do reino dos céus. Alguns até mesmo se fizeram eunucos por causa do reino dos céus (Mt 19:12). A fim de entrar no reino dos céus e ganhar um lugar no reino, eles escolheram permanecer virgens. Ninguém vê a vida eterna ser negada a uma pessoa casada. Se esse fosse o caso, Pedro teria sido o primeiro a ter problema, pois ele tinha sogra (Mt 8:14). Vemos que a questão da vida eterna não está de forma nenhuma relacionada à família e ao casamento, mas a questão do reino está muitíssimo relacionada à família e ao casamento. Essa é a razão de a Bíblia dizer que aqueles que têm esposa devem ser como se não a tivessem. Os que se utilizam do mundo devem ser como se dele não utilizassem, e os que compram como se nada possuíssem (1 Co 7:29-31). Isso tem muito a ver com nossa posição no reino dos céus.
Finalmente, temos de mencionar outra diferença. No reino, há diversos níveis de graduação. Mesmo que os homens sejam capazes de entrar no reino, há diferença na posição que eles ocupam ali. Alguns receberão dez cidades, outros receberão cinco (Lc 19:17-19). Alguns receberão meramente uma recompensa, mas outros receberão um galardão. Alguns ganharão uma rica entrada no reino (2 Pe 1:11). Alguns entrarão no reino sem uma rica entrada. Portanto, existe uma diferença de graduação no reino. Mas nunca haverá uma questão de graduação com relação à vida eterna. A vida eterna é a mesma para todos. Ninguém receberá dez anos a mais que o outro. Não existe diferença na vida eterna, todavia no reino há diferença.
Se alguém ponderar um pouco, perceberá que na Bíblia, o reino e a vida eterna são duas coisas absolutamente diferentes. A condição para a salvação é a fé no Senhor. Além da fé, não há outra condição, pois todos os requisitos já foram cumpridos pelo Filho de Deus. A morte de Seu Filho satisfez todas as exigências de Deus. Mas entrar no reino dos céus é outra questão: requer obras. Hoje um homem é salvo pela justiça de Deus. Mas não podemos entrar no reino dos céus a menos que nossa justiça exceda a dos escribas e fariseus (Mt 5:20). A justiça no viver e na conduta de uma pessoa deve ultrapassar a dos escribas e fariseus para que ela possa entrar no reino dos céus. Portanto, pode-se ver que a questão da vida eterna é completamente baseada no Senhor Jesus. Contudo, a questão do reino está baseada nas obras do homem. Não estou dizendo que reino é melhor que vida eterna, mas Deus tem um lugar tanto para um como para outro.a

terça-feira, 22 de maio de 2012

Mordomia Cristã


Mordomia Cristã

 
Parte 1 - Introdução
1 Pe 4.10 e 11; 1 Co 4.1 e 2
A palavra mordomia sofreu, ao longo dos anos, uma deturpação devido ao seu mau uso. Esta palavra é usada como regalias e favores concedidos, especialmente pelos governos, a alguns funcionários públicos. Ou ainda, quando pensamos em mordomo, pensamos num romance ou filme policial em que o mordomo sempre é o criminoso. Estes não são o sentido bíblico da mordomia cristã.
 
1. SIGNIFICADO DA PALAVRA MORDOMO:
A palavra mordomo, em português, vem do latim majordomus, que tem o mesmo significado do grego oikonomoV - oikonomos (oikoV - oikos, casa, e nomoV - nomos, governo). Major, em latim, é maior ou principal, e domus, casa, a casa com tudo que ela contém e significa. Assim mordomo é o principal servo, o que administra a casa do seu senhor.
Vejamos alguns mordomos na Bíblia: Eliézer (Gn 24.2) e José (Gn 39.4-6).
 
2. CONCEITO BÍBLICO DA MORDOMIA:
“É o reconhecimento da soberania de Deus, a aceitação do nosso cargo de depositários da vida e das possessões, e administração das mesmas de acordo com a vontade de Deus”
 
3. BASE BÍBLICA DA MORDOMIA CRISTÃ:
a) Deus é dono de tudo e de todos:
Do universo: Gn 1.1; 14.22; l Cr 29.l3-l4; Sl 24.l; 50.10-12.
Do homem:
por direito de criação -Is 42.5
por direito de preservação: At l4.l5-l7 e At 17.22-28
por direito de redenção: 1 Co 6.l9e20; Tt 2.l4 e Ap 5.9
b) O homem é o mordomo - Gn 1.28; 2.l5 e Sl 8.3-9.
 
4. VALOR DA DOUTRINA PARA A VIDA CRISTÃ
Senso do sagrado
Senso de responsabilidade
Senso de dependência
 
CONCLUSÃO:
A mordomia cristã estabelece como verdade que Deus é o Senhor, o Dono de tudo quanto existe na terra e no céu e concedeu ao homem o privilégio e responsabilidade de administrar. Os homens não são os donos, mas mordomos.
 
“Além disso requer-se nos despenseiros (ou mordomos) que se ache fiel.”
 

Parte 2 - Mordomia do corpo
1 Co 6.l9 e 20
O corpo é a estrutura física do homem. Este foi criado por Deus com um cuidado especial. Ao criar as demais coisas, Deus disse: “Haja...” Quando, porém, criou o homem, formou-o do pó da terra e soprou-lhe nas narinas dando assim o fôlego da vida (Gn 2.7). O salmista Davi disse: “Eu te louvarei porque de um modo admirável e maravilhoso fui formado.” (Sl 139.14).
 
1. CONCEITO FALSO SOBRE O CORPO
Há um conceito errôneo, que existe desde o primeiro século, divulgado pelos gnósticos de que a matéria é má. Com este negam a encarnação de Jesus (o fato de Jesus ter vindo em carne) e afirmam que Ele veio apenas em Espírito. A Bíblia condena este conceito em I Jo 4.2 e 3 que diz: “Nisto conheceis o Espírito de Deus - todo espírito que confessa que Jesus veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus veio em carne não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e já está no mundo.”
Também afirmam que não devemos nos preocupar com a preservação e santificação do nosso corpo, pois sendo a matéria má não importa o que façamos com o mesmo. A Bíblia, por sua vez, também condena este conceito afirmando que o nosso corpo é templo do Espírito Santo devendo ser cuidado como tal.
 
2. O QUE A BÍBLIA FALA DO NOSSO CORPO?
Foi criado por Deus: Gn 1.26 e 28 - 2.7 e Sl 139.14.
É templo do Espírito Santo: 1 Co 6.19 e 20.
É usado como metáfora da Igreja: 1 Co 12.12--31.
Podemos glorificar a Deus em nosso corpo (1 Co 6.20 e Fp 1.20), dedicando-o a Deus (Rm 12.1 e 2).
 
3. DEVERES PARA COM O CORPO
Alimento saudável
Higiene do corpo, da casa e das roupas assim evitando doenças
Visitas ao médico em caráter preventivo - vacinas, por exemplo, exames preventivos, etc.
Descanso
Usar trajes santos (Sl 96.9)
Lazer (Lc 2.52)
Fugir da prostituição (1 Co 6.15-18, Ef 5.1-4 e Cl 3.5)
Não fazer uso dos inimigos do corpo: fumo, bebida e drogas
 
CONCLUSÃO:
Cuidar do nosso corpo é um dever. Deus escolheu fazer dele o seu templo. Sendo assim, deve ser usado de acordo com a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável. Sabendo que o nosso corpo não é nosso mas de Deus.
 

Parte 3 - Mordomia do pensamento
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Fp 4.8 )
Devemos dar graças a Deus pela capacidade que temos de pensar, refletir e usar esta para a glória de Deus. Deus conhece os nossos pensamentos e o meditar do nosso coração. Somos mordomos do nosso pensamento, assim devemos reconhecer o Senhorio Divino sobre este. Há uma declaração bíblica que diz “...nós temos a mente de Cristo” (I Co 2.16). Ter a mente de Cristo é pensar como Ele e ter o nosso pensamento dominado pelo mesmo.
 
1. FASES DO PENSAMENTO
Segundo o Pr. João Falcão Sobrinho o pensamento humano abrange quatro fases:
A memória, o que é acumulado nos registros do cérebro, através dos sentidos físicos.
A análise, a avaliação dos dados da memória, a reflexão.
A imaginação, ou fantasia que está relacionada com as emoções, desejos íntimos e sonhos.
A elaboração do pensamento (a associação entre os dados guardados na memória e a imaginação) em ordem, para ser aplicado à realidade externa.
 
2. DEUS CONHECE OS NOSSOS PENSAMENTOS
Ele sabe os nossos pensamentos - Sl 139. 1 e 2
Os nossos pensamentos devem ser agradáveis a Deus - Sl 19.14
Ele reprova os pensamentos maus - Gn 6.5; Pv 6.16-19 e Pv 15.26
 
3. DEVERES PARA COM O NOSSO PENSAMENTO
Ocupá-lo com coisas boas - Fp. 4.8
Ser cheio da Palavra de Deus - Sl 119.11; I Tm 4.15; Js 1.8
Sempre recordar as bençãos recebidas de Deus - Sl 103.2
Ser dominado pelo amor - Rm 5.5 e Rm 12.9-21
Ser dominado pela fé - Hb 11.6
Deve sempre estar em renovação - Rm 12. 1 e 2; Cl 3.1-10
 
4. INIMIGOS DO PENSAMENTO
Literatura pecaminosa
Programas televisivos e radiofônicos pecaminosos
Fantasias pecaminosas - Mt 5.27 e 28
Más conversações - Sl 1.1 e 2; I Tm 6.20 e I Co 15. 33
 
CONCLUSÃOAo saber que Deus conhece os nossos pensamentos, isso já seria o suficiente para zelarmos por estes. Deus nos deu um filtro para coarmos os nossos pensamentos em Filipenses 4.8: "Finalmente, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento."
 

Parte 4 - Mordomia das palavras
Mt 12.33-37
O presente assunto está profundamente relacionado com o anterior (mordomia do pensamento, parte 4 deste estudo). “Pois a boca fala do que o coração está cheio” (Mt 12.34; Lc 6:45). O trecho bíblico citado é esclarecedor para o nosso assunto. Este faz, pelo menos, quatro afirmações:
1. A palavra reflete o que está no coração.
2. Não é possível purificar as palavras sem antes purificar o coração.
3. Somos responsáveis por aquilo que falamos.
4. Iremos prestar contas a Deus das palavras que proferirmos.
 
1. PALAVRAS QUE AGRADAM A DEUS - Sl 19:14
Palavras que produzem bons resultados - I Pe 3.10 e 11; Pv 15.4
Palavras temperadas com sal - Cl 4.6
Que preservam
Dão gosto
Provocam sede
Diferenciadoras
Palavras oportunas - Pv 25.11
Palavras espirituais - Cl 3.16 e 17; Ef 5.19; Dt. 6.6 e 7
Palavras úteis - Fp 4.8
 
2. PALAVRAS QUE ENTRISTECEM A DEUS - Ef 4.29 e 30
Palavras mentirosas _ Is 5.20; Jo 8.44, Ap 21.8
Palavras violentas - Pv 15.1
Palavras desenfreadas - Tg 1.26
Palavras lisonjeiras - I Ts 2.5; Rm 16.17 e 18. Lisonjear é louvar com exagero, ou seja, adulação.
 
CONCLUSÃO
Para agradarmos a Deus em nossas palavras precisamos está com o coração cheio da Palavra de Deus. Sempre sendo conduzido pelo Espírito Santo em nossas palavras. Reconhecendo que Deus é Senhor e que iremos prestar-lhe contas das mesmas.
 

Parte 5 - Mordomia do Tempo
Ef 5.15 e 16
O tempo é mais do que segundos, minutos, horas, dias, anos, décadas, séculos e milênios. “O tempo é um milagre que não se repete”. Alguns dizem que o tempo é dinheiro, mas este é mais precioso do que o dinheiro. Devemos ser bons mordomos do tempo aproveitando bem as oportunidades que este nos oferece.
 
1. A NOSSA VIDA NA TERRA É PASSAGEIRA
É como a sombra - 1 Cr 29.15
Como um palmo na sua extensão - Sl 39.4 e 5
Como mensageiros apressados - Jó 9.25
Como um vapor - Tg 4.14
 
2. CONSIDERAÇÕES PARA O BOM USO DO TEMPO
Há um tempo determinado para cada coisa - Ec 3.1
Considerar todos os dias - Sl 90.12
O nosso maior investimento deve ser no Reino - Mt 6.19-21; Mt 6.25; Lc 12.16-21
Lembrarmos de Deus - Ec 12.1
Fazer o bem - Gl 6.10
Não procrastinar - Hb 4.7b; Is 55.6; Hb 12.16 e 17; Mt 25.11 e 12
Planejar - “Um indivíduo que sabe o que vai fazer, quando inicia o seu trabalho, já tem metade do trabalho feito”.
Ser pontual
Ser equilibrado
Não gastá-lo com coisas fúteis, inúteis e não essenciais
 
CONCLUSÃOO tempo é algo precioso que deve ser usado com sabedoria, pois quando passa não volta jamais. Tenhamos como o maior investimento o Reino de Deus. Porque o que investe neste permanece para sempre.
 

Parte 6 - Mordomia do Domingo
O presente assunto é extensão do assunto anterior (mordomia do tempo, parte 5). A palavra domingo provém do latim dominicus, de dominus (senhor), e significa relativo ao Senhor, ou seja, do Senhor, portanto “dia do Senhor”. Para entendermos melhor este assunto precisamos comentar a respeito da controvérsia que há entre o sábado e o domingo.
 
1. O DIA SÁBADO
A palavra sábado é procedente do hebraico e significa descanso. Esta é a idéia fundamental da palavra, e não o fato de ser o sétimo dia.
Segundo o Pr. Enéas Tognini, há três sábados na Bíblia. O primeiro, o edênico (universal) que Deus institui ao cessar as obras da criação, mostrando que o homem deveria ter um dia para descansar das suas atividades e dedicá-lo ao Senhor (Gn 2.1-3). O segundo, o legal (7o dia) - o judeu da Bíblia e o de hoje guardam este dia (Êx 20.8-11). O terceiro, o cristão (1o dia da semana), dia em que Deus completou o plano de redenção com a ressurreição de Cristo (Mt 28.1; Mc 16.9; Lc 24.1; Jo 20.1).
 
2. POR QUE GUARDAMOS O DOMINGO?
O domingo comemora a ressurreição de Cristo (versículos acima).
Outros fatos importantes ocorridos no domingo:
- Aparecimento de Cristo à Maria Madalena e aos discípulos - Mc 16.9; Jo 12.19-26
- A descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes - Lv 23.16 e At 2.1
 
Os discípulos guardaram o domingo:- Levantaram ofertas - I Co 16.1-4
- Celebraram a Ceia do Senhor - At 20.6 e 7
- João o chamou dia do Senhor - Ap 1.10 e 11
O sábado era um sinal entre o povo de Israel e Deus. Portanto obrigação dos judeus - Êx 31.13-17
Os mandamentos são todos reafirmados no Novo Testamento menos referente ao Sábado.
 
3. COMO OBSERVAR O DOMINGO?
- Freqüência à Igreja
- Leitura da Palavra
- Testemunho
- Descanso
- Visita aos doentes...
 
CONCLUSÃOA principal idéia do Dia do Senhor é que seja um dia entre os sete dias da semana separado para descanso e serviço ao Senhor. O sábado cristão é o domingo. Dia em que Deus completou o seu plano de salvação com a ressurreição de Cristo. Seja você um bom mordomo do dia do Senhor.
 

Parte 7 - Mordomia da Influência
Mt 5.16
O homem como um ser social exerce a ação de influir as pessoas que o cercam. A esta força denominamos “influência”, sendo esta inevitável. Sempre estaremos influenciando alguém, quer queiramos ou não. E como temos influenciado? Positivamente ou negativamente? O versículo acima afirma que temos de influenciar positivamente de tal forma que provoque nas pessoas a atitude de glorificar a Deus
 
1. O DEVER DE INFLUENCIARMOS POSITIVAMENTE
Somos a carta de Cristo - II Co 3.1-6
Somos o bom perfume de Cristo - II Co 2.14-17
Alguns exemplos: At 20.24; I Ts 1.8
Influência póstuma: Hb 11.4; Mt 26.13; II Pe 1.15; At 9.36-39. “O homem não deve deixar de viver quando morre, e sim, continuar vivendo ainda mais intensamente nas vidas abençoadas pela sua influência.”
 
2. A MÁ INFLUÊNCIA
Escandalizadora - Lc 17.1 e 2
Exemplo: I Rs 11.4 e 21.25, I Co 5.6 e 7, II Tm 2.17 e 18
 
3. ÁREAS DE INFLUÊNCIA
No lar - I Co 7.14, I Tm 5.8 e II Tm 1.5
Na vida profissional - Mt 5.15 e Ef 6.5-9
Na igreja - At 2.42-47
Na sociedade - Mt 5.13-15 e Mt 13.31-33
 
CONCLUSÃOHá um pensamento que afirma: “Você se torna eternamente responsável pela pessoa que cativa.” Nós devemos exercer no nosso lar, em nosso trabalho, em nossa igreja e na sociedade uma influência cristã. Não há como ficar neutro, ou influenciamos positivamente ou negativamente. Sejamos bons mordomos da força de influir.
 

Parte 8 - Mordomia dos Bens
Ec 5.19
As pessoas quando falam acerca dos seus bens materiais, quase sempre, tratam deste assunto como algo secular sem valor espiritual. Não deve ser assim . Nesta lição trataremos do assunto sob o prisma divino revelado nas Escrituras.
 
1. O QUE A BÍBLIA FALA DOS BENS MATERIAIS?Deus é o dono dos nossos bens – Ex 19.5 e 6; Sl 24.1 e Ag 2.8.
A capacidade de adquirir os bens vem de Deus – Dt 8.15-18, I Cr 29.12 e Ec 5.19.
Os bens tem duração limitada – Sl 39.6, Sl 49.16 e 17, I Tm 6.7.
 
2. MAU USO DOS BENS MATERIAIS
Quando os bens são adquiridos de forma desonesta – Pv 11.1, Rm 12.17, I Pe 2.1.
Quando deixa de ser servo para ser senhor do homem – Mt 19.23, Lc 16.13, I Tm 6.10
Quando leva o homem a esquecer-se de Deus – Dt 8.11-14.
Expõe o homem a grandes tentações – Mt 13.22 e I Tm 6.9.
 
3. BOM USO DOS BENS MATERIAIS
Quando são usados para a glória de Deus – I Co 10.31. “O dinheiro não pode subir aos céus mas pode realizar coisas celestiais na terra.”
Quando os valores espirituais tem a primazia – I Rs 3.11-13, Mt 6.33.
Quando a ajuda ao próximo é lembrada – Mt 25.31-40, At 4. 34 e 35 e I Tm 6.17-19.
Termos um estilo de vida simples – I Tm 6.7-10, Mt 8.20.
 
CONCLUSÃO
Como estudamos, os bens devem ser encarados sob o ponto de vista divino. Desta forma consagraremos os mesmos e o usaremos de forma agradável a Deus. Certa vez, Richard Foster disse que devíamos carimbar tudo o que temos com o seguinte lembrete: “Dado por Deus, prioridade de Deus, para ser usado para os propósitos de Deus.”
 

Parte 9 - Mordomia do Dízimo
Pv. 3.9 e 10
A palavra dízimo quer dizer “décima parte”. Portanto devolver a Deus a décima parte do que se ganha é dizimar. É importante entender que o dízimo deve ser uma atitude de entrega pessoal e gratidão. Não basta a devolução do dízimo. Temos que entregar a nossa vida, o nosso coração no altar de Deus. Não devemos devolver este como pagamos uma mensalidade, contas de luz e água, prestações de eletrodomésticos com medo de ter o nosso nome no “SPC divino”. A motivação que nos leva a dizimar não é o medo mas o amor a Deus.
 
1. DÍZIMO NO VELHO TESTAMENTO
A prática do dízimo é anterior a lei mosaica – Gn 14.18-20 e 28.18-22. Cerca de duzentos e cinqüenta anos depois de Jacó em Betel, Deus orientou a Moisés instituir o dízimo na lei.
Foi incorporada na lei mosaica – Lv 27.30.
Foi ensinada pelos profetas – Ml 3.8-12
 
2. DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO
Jesus falou do dever de dizimar – Mt. 23.23 e Lc 11.42.
Melquisedeque como tipo de Cristo – Hb 7.1-10. No Novo Testamento fica claro que o dízimo é o referencial mínimo para a contribuição: Mt 5:20, Mc 12.41-44; At 2.44-45 e 4.32-37, II Co 8.1-5, I Co 16.2 e Jo 6.9
 
3. FINALIDADE DO DÍZIMO
Manutenção da Igreja – Ml 3.10
Sustento dos obreiros – II Cr 31.4-6 e II Co 9.10-14
 
CONCLUSÃODeus é dono de todos os nossos bens. “Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos.” Ele nos pede para devolver o dízimo dando este como referencial mínimo. Ele nos ensinou “melhor dar do que receber.” Aquele que não tem o dinheiro como ídolo e, pelo contrário, serve com este, tem como conseqüência (não é troca) bênçãos dadas por Deus. “...Fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma benção tal, que dela vos advenha a maior abastança.”
 

Parte 10 - Mordomia das Oportunidades
Cl 4.5
Durante a nossa existência temos várias oportunidades. Elas vem e passam. Algumas de repetem mas a maioria não. Por isto Paulo advertiu quanto ao uso das oportunidades. Certa vez Jesus perguntou a um cego: Que queres que te faça? Aquele cego teve a oportunidade de pedir qualquer coisa mas usou bem a oportunidade oferecida. Respondendo: Mestre, que eu veja.
 
1. TIPOS DE OPORTUNIDADESOportunidades espontâneas
Oportunidades criadas
 
2. OPORTUNIDADES DESPERDIÇADAS
II Rs 13,14-19; Mt 11. 10-24; 25.10 e Hb 12. 16 e 17
 
3. OPORTUNIDADESDe salvação – Is 45.22, Is 55.6 e Hb 4.7b
A vida – Sl 90.12 e Hb 9.27
De servir – Mt 25.44; Jo 9.4; Gl 6.7-10
De pregação - Ez 3.18,19; Mt 24.14
Do desenvolvimento da vocação - Mt 25.14-30
Profissional - Ef 6.4-9
 
CONCLUSÃOA vida é a mais preciosa oportunidade que Deus deu ao homem. Nela há muitas outras oportunidades. Peçamos a Deus sabedoria e visão para aproveitarmos e enxergarmos as oportunidades. Para que não lamentemos as oportunidades desperdiçadas mas louvemos a Deus pelas aproveitadas.
 
Cedido gentilmente por Beta Estudos
 

Deixemos Cair Nossas Máscaras


Deixemos Cair Nossas Máscaras

 
O sermão daquela noite calou no coração do novo convertido. A pastora incentivava os ouvintes a visitarem os excluídos, descamisados e pedintes. As portas do templo estariam abertas para recebê-los. “São pessoas que precisam de nossa atenção, carinho e assistência”. Imitemos Jesus, vamos ao encontro deles – dizia a pregadora.
 
Enlevado por tão nobre sentimento de amor cristão, o recém-convertido lançou a sua rede. Conversou com homens sem emprego e sem teto, moradores de rua, e os convenceu a visitar a igreja. Ardiam no seu peito as sábias palavras da pastora.
 
Certa noite, uma hora antes de iniciar o culto, os mendigos chegaram ao templo. Orientados e dirigidos pelo jovem irmão, os visitantes, trajando suas melhores vestes, foram direto para o banheiro. Tomaram um gostoso banho e se deram ao luxo de usar um bom sabonete e toalha limpa. Depois da limpeza do corpo, viria a limpeza espiritual. Ficaram sentados na primeira fila. O novo convertido aguardava ansioso o momento de comunicar a sua obra à pastora. Receberia elogios de seus líderes; os demais irmãos iriam seguir seu exemplo; aqueles homens iriam receber com alegria a Palavra; mudariam de vida; uma comissão seria formada para dar assistência contínua aos excluídos, agora nossos irmãos em Cristo; haveria grande alegria no céu; os anjos diriam amém.
 
Enquanto sonhava, alguém bateu no seu ombro:
- Olha, meu chapa, vá ver a sujeira que essa gente que você trouxe fez no banheiro! Era o irmão-zelador. E disse mais: - Da próxima vez que trouxer esse pessoal, você mesmo vai limpar tudo!
 
Essa foi a primeira decepção. A outra foi ver o desconforto que aqueles pobres causaram à congregação. Os visitantes ficaram isolados. Ninguém os cumprimentou. Nem a pastora. Ao contrário, havia um ar de reprovação à presença de pessoas de classe social tão baixa. As senhoras e donzelas, com jóias caras e ricos vestidos, fulminavam os mendigos com olhares furtivos de repugnância. Igual procedimento seria dispensado a um político de terno e gravata que ali estivesse pela primeira vez?
 
O humilde líder dos miseráveis começou a tremer nas bases. Não estava acreditando. Então, é tudo mentira no Cristianismo? São sepulcros caiados? São todos hipócritas? Não, não pode ser. Vou falar com a pastora. Falou e ouviu:
- Meu irmão, as coisas não são bem assim. Você agora trouxe oito mendigos; amanhã outros virão. Não temos estrutura para isso. É certo que preguei aquele sermão, mas foi em tese.
 
Como é difícil ser verdadeiro cristão, pois “aquele que diz que está nele também deve andar como Ele andou” (1 Jo 2.6).
 
Em outro momento, em outra igreja, um irmão mostrou-se insatisfeito com seu trabalho de “evangelizar os pobres”. Segundo ele, “pobre não dá retorno financeiro”. Eis a causa. Melhor é fazermos reuniões com empresários. A estes, afagos, abraços, lisonjas, sorrisos, cumprimentos cordiais. Àqueles, um prato de sopa, uma moeda, um “Deus-te-favoreça”, com que nos livramos temporariamente do peso da consciência.
 
Tiremos nossas máscaras e, sem vergonha, reflitamos sobre nossa condição de “desgraçado, miserável, pobre, cego e nu”. Os pobres, tanto quanto os ricos, precisam de Cristo. Igreja é lugar de conserto, de renovação, de nova vida, de compaixão, de amor e misericórdia. Que venham todos comer do pão da vida. Venham os sedentos, os tristes, oprimidos e desconsolados, “porque o meu jogo é suave, e o meu fardo é leve”.
 
Autor:  Pr. Airton Evangelista da Costa