sexta-feira, 25 de maio de 2012

Não andeis ansiosos


Não andeis ansiosos de coisa alguma. Em tudo, porém sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições pela oração e pela súplica com ações de graças.
Filipenses 4:6
Atualizado em 09/01/01
Deus tem um propósito a realizar, mas ele precisa que o homem esteja disposto a orar, para que se estabeleça Sua vontade aqui na Terra, está é a função da oração, preparar um caminho para que Deus realize Sua vontade, assim como uma locomotiva necessita dos trilhos para andar, Deus necessita da oração do homem para levar adiante Sua vontade, sendo assim o homem deve fazer com que sua vontade seja unida com a vontade de Deus para que se estabeleçam seus designos, como podemos ver em 1 Jo 5:14-15 "E esta é a confiança que temos para com ele, que, se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.", a oração tem como objetivo que nós venhamos a fazer com que a vontade de Deus se estabeleça aqui na terra, desta forma, devemos conhecer melhor a vontade de Deus, para que nossas orações sejam agradáveis a Deus e nossos propósitos sejam cumpridos.
A oração é o estabelecimento de um diálogo do homem com Deus, sendo que, devemos estar atentos a resposta de Deus, que vem através de nosso espírito ou através das circunstâncias exteriores. É através da oração que nós colocamos nossas ansiedades nas mãos de Deus, crendo que Ele é poderoso para nos dar paz interior, e resolver nossos problemas da melhor maneira possível para nosso crescimento espiritual. Quando somos iluminados por Deus, em nossa consciência, de nossos pecados, nós devemos imediatamente pedir perdão a Deus,  através da oração, pedindo para sermos lavados pelo seu sangue, e nossos pecados seram perdoados.
Devemos estar sempre orando, para sermos guardados das tentativas de satanás de nos levar ao pecado. Podemos dizer que a oração é o nosso termômetro espiritual, quando nós não conseguimos orar, indica que não estamos bem espiritualmente. Devemos aprender a observar o falar divino, em nosso espírito, enquanto estamos orando, pois Deus se comunica conosco através de nossa intuição, que é uma das partes do nosso espírito, mas cabe a nós, utilizando o nosso conhecimento bíblico, discernirmos se é ou não de Deus este falar, pois o inimigo pode também tentar nos enganar, lançando pensamentos em nossa mente que sutilmente nos induziram ao pecado.
Vamos analisar o trecho da Bíblia mais importante sobre a oração, que se encontra em Mt 6:5-13:
5 E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
7 E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.
8 Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.
9 Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
10 venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
13 e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!
A oração não é algo formal, para atrair a atenção do homens, como faziam os fariseus, e por isso foram condenados (v. 5). Eles estavam acostumados a orar formalmente 18 vezes ao dia, segundo as leis herdadas dos antepassados, e observavam com rigor pontual os horários destinados à oração, onde quer que estivessem. Por isso, com freqüência eram obrigados a orar em público, e os judeus, admirados, sempre os surpreendiam em sua prática nas esquinas das ruas. A oração passou a ter , então, caráter de mero ritualismo, sem consistência espiritual, onde o que contava era a exterioridade sofisticada de palavras vazias para receber o louvor humano.
A oração também não é como a reza, uma repetição interminável de enunciados que não traduzem os sentimentos do coração (v. 7). Este era o costume dos gentios, adeptos das religiões politeístas, que horas a fio repetiam mecanicamente as mesmas palavras diante de seus deuses, o que mereceu a veemente reprovação do Senhor Jesus, pois o mesmo estava ocorrendo com os praticantes da religião judaica.
Afinal o que é a oração? A melhor definição encontra-se, é obvio, na Bíblia. Nenhum conceito teológico expressa com a mesma clareza e simplicidade o que ela significa. A oração é segundo as Escrituras, uma via de mão dupla através da qual o crente , com se clamor, chega à presença de Deus, e este vem ao seu encontro, com as respostas (Jr 33:3 " Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes."). A oração é fruto espontâneo da consciência de um relacionamento pessoal com o Todo-Poderoso, onde não há espaço para o monólogo, pois quem ora não apenas fala, mas também precisa estar disposto a ouvir. É um diálogo onde o crente aprofunda sua comunhão com Deus e ambos conversam numa linguagem que tem como intérprete o Espírito Santo (Rm 8:26-27 "Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.") .
A Bíblia é o livro da oração . Suas páginas evocam grandes momentos da história humana que foram vividos em oração. CompareJs 10:12-15 "e os sidônios, e os amalequitas, e os maonitas vos oprimiam, e vós clamáveis a mim, não vos livrei eu das suas mãos? Contudo, vós me deixastes a mim e servistes a outros deuses, pelo que não vos livrarei mais. Ide e clamai aos deuses que escolhestes; eles que vos livrem no tempo do vosso aperto. Mas os filhos de Israel disseram ao SENHOR: Temos pecado; faze-nos tudo quanto te parecer bem; porém livra-nos ainda esta vez, te rogamos.;" e 2 Rs 6:17 "Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu.". Desde o seu primeiro livro, Gênesis, até Apocalipse, fica claro que orar é parte da natureza espiritual do ser humano, assim como a nutrição é parte do seu sistema fisiológico. Os grandes fatos escatológicos, como previstos no último livro da Bíblia, serão resultado das orações dos santos, que clamam a Deus ao longo dos séculos pelo cumprimento de sua justiça (Ap 5:8 "e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos,"; Ap 8:3-4 "Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos.").
Orar não pode ser visto como ato de penitência para meramente subjugar a carne. Em nenhum momento a Bíblia traz esta ênfase. Oração não é castigo (assim como a leitura das Escrituras), idéia que alguns pais equivocadamente passam para os filhos, quando os ordena a orar como disciplina por alguma desobediência. Eles acabam criando uma verdadeira repulsa à vida de oração, desconhecendo o verdadeiro valor que ela representa para as suas vidas, por terem aprendido pela prática a reconhecê-la apenas como meio de castigo pessoal. Ao contrário, se aprenderem que orar é ato que eleva o espírito e brota de maneira espontânea do coração consciente de sua indispensabilidade, como ensina a Bíblia, saberão cultivar a oração como exercício de profunda amizade com Deus que resulta em crescimento espiritual (Cl 1:9 " Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;"). De igual modo, o mesmo acontecerá conosco.
Podemos observar o valor da oração, observando os heróis da fé, descritos em Hebreus 11, que exercitam sua fé através da oração. Não só eles, mas outros personagens da Bíblia tiveram igual experiência. Abraão subiu ao monte Moriá, para o sacrifício de Isaque, porque seu nível de comunhão com Deus através da oração era tal que ele sabia tratar-se de uma prova de fé (Gn 22:5-8 "Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós. Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos. Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos."). É o exemplo da oração que persevera e confia. Enoque vivênciou a oração de maneira tão intensa que a Bíblia o denomina como aquele que andava com Deus (Gn 5:24 "Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si."). É o exemplo da oração em todo o tempo.
Moisés trocou a honra e a opulência dos palácios egípcios porque teve o privilégio de falar com o Senhor face a face e com ele manter íntima comunhão por toda a vida , ver Êx 3:1-22 e Ex 4:1-17, ele é o exemplo da oração que muda as circunstâncias. Entre os profetas destaca-se, Elias, cujo exemplo Tiago aproveita para ensinar que o crente sujeito às mesmas fraquezas, pode diante de Deus (Tg 5:17-18 "Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos."). É o exemplo da oração que supera as deficiências humanas.
Esses heróis são as testemunhas mencionadas em Hb 12:1 "Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,". Ou seja, se eles, que não viveram na dispensação do Espírito Santo, tiveram condições de viver de modo tão intenso na presença de Deus, quanto mais o crente, hoje, que conta com o auxílio permanente e direto do Espírito Santo, movendo-o para uma vida de oração. Todos os crentes necessitam, devem e podem ter mesma vida de oração que os santos da Bíblia e tantos outros que a história eclesiástica registra, como George Muller, João Hide, Lutero e Watman Nee.
O maior exemplo de oração, no entanto, foi o próprio Mestre. Sendo ele o Filho de Deus, cujos atributos divinos lhes asseguravam o direito de agir sobrenaturalmente, podia dispensar a oração como prática regular de sua vida. No entanto, ao humanizar-se, esvaziou-se de todas as prerrogativas da divindade e assumiu em plenitude a natureza humana (Fp 2:5-8 "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.") experimentando todas as circunstâncias inerentes ao homem, inclusive a tentação (Hb 4:15 "Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado."; Mt 4:1-11 "A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus. Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.").
Ora, isto significa que o Senhor dependeu tanto da oração como qualquer outra pessoa que se proponha a servir integralmente a Deus. Ela foi o instrumento pelo qual pôde suportar as afrontas, não dar lugar ao pecado, tomar sobre si o peso da cruz e vencer o maligno (Mt 26:36-46 "Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.").
Os evangelhos registram a vida de oração do Mestre. Ele orava pela manhã (Mc 1:35 "Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava."), à tarde (Mt 14:23 "E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.") e passava noites inteiras em comunhão com Deus (Lc 6:12 "Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus."). Se Ele viveu esse tipo de experiência 24 horas por dia, de igual modo Deus espera a mesma atitude de cada crente. Não apenas uns poucos minutos, com palavras rebuscadas de falsa espiritualidade, para receber as honras dos homens, mas em todo o tempo, como oferta de um coração que se dispõe a permanecer humildemente no altar de oração.
A oração modelo, registrada em Mt 6:9-13, não é simplesmente uma fórmula para ser repetida. Se assim fosse, o Mestre não teria condenado as "vãs repetições" dos gentios. Seria uma incongruência. O seu propósito é revelar os pontos principais que dão forma ao conteúdo da oração cristã. Ela não é uma oração universal, mas se destina exclusivamente àqueles que podem reconhecer a Deus como Pai, por intermédio de Jesus Cristo. A oração do crente, sincera e completa em seu objetivo, traz em si estes aspectos:
  • Reconhecimento da soberania divina (Pai nosso, que estás nos céus,);
  • Reconhecimento da santidade divina (santificado seja o teu nome;);
  • Reconhecimento da vinda do reino no presente e sua implantação no futuro (venha o teu reino;);
  • Submissão sincera à vontade divina (faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;)
  • Reconhecimento que Deus supre as nossas necessidades pessoais (11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;);
  • Disposição de perdoar para receber perdão (e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;);
  • Proteção contra a tentação e as ações malignas (e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal);
  • Desprendimento para adorar a Deus em sua glória (pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!).
Os requisitos para que uma oração seja eficaz são:
  • Nossas orações não serão atendidas se não tivermos fé genuína, verdadeira (Mc 11:24 "Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco."; Mc 9:23 "Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê."; Hb 10:22 "aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.", Tg 1:17 " Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança."; Tg 5:15 "E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.").
  • Nossas orações devem ser feitas em nome de Jesus, ou seja, devem estar em harmonia com a pessoa, caráter e vontade de nosso Senhor (Jo 14:13-14 "E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.").
  • A nossa oração deve ser feita segundo a vontade de Deus que muitas vezes nos é revelada pela sua palavra, que por sua vez deve ser lida com oração (Ef 6:17-18 "Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos", 1 Jo 5:14 " E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.", Mt 6:10 "venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;"; Lc 11:2 "Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino;"; Mt 26:42 "Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.") .
  • Devemos andar segundo a vontade de Deus, amá-lo e agradá-lo para que Ele atenda as nossas orações (Mt 6:33 "33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."; 1 Jo 3:22 "e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.", Jo 15:7 "Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito."; Tg 5:16-18 "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.", Sl 66:18 "Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido.", Pv 15:8 "O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento.").
  • Finalmente, para uma oração eficaz, precisamos ser perseverantes (Mt 7:7-8 "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á."; Cl 4:2 "Perseverai na oração, vigiando com ações de graças."; 1 Ts 5:17 "Orai sem cessar."; Sl 40:1 "Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.").
Em princípio, o crente deve orar em todo o tempo (1Ts 5:17 "Orai sem cessar."; Ef 6:18 "com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos"). É um estado permanente de comunhão com Deus, onde o seu pensar está ligado as coisas que são do alto (Cl 3:2 "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;"). É uma condição que não dá lugar para ser atingido pelos dardos inflamados do inimigo, pois seu espírito está sempre alerta, através da oração. Ele deve, no entanto, ter momentos específicos de oração pela manhã, à tarde ou à noite, como fez o nosso Senhor Jesus. Orações públicas, como as que se fazem nos cultos, são também uma prática bíblica, desde que não repitam o formalismo, a exterioridade e a hipocrisia dos fariseus. O Senhor Jesus mesmo, por diversas vezes, orou publicamente (Jo 11:41-42 "Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste.").
O lugar onde se mede a intensidade da comunhão do crente com Deus é no seu "lugar secreto" (Mt 6:6 "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.") para estar a sós com o Senhor. É ali, sozinho, com as portas fechadas para as coisas que o cercam e abertas para o Senhor, que ele de fato revela se a oração é para si mera formalidade ou meio que o conduz à presença de Deus para um diálogo íntimo, pessoal e restaurador com Aquele que deseja estar lado a lado com seus filhos. "A menos que exista tal lugar, a oração pessoal não se manterá por muito tempo nem de maneira persistente". A oração do crente não tem como propósito atrair a atenção dos homens, mas é o meio por excelência de seu encontro pessoal com Deus, para que cresçamos em fé e vivamos uma vida cheia do Espírito Santo, guardando-nos do maligno. Jesus é o Senhor. Amém.

Descubra aqui em que nós cremos


Descubra aqui em que nós cremos
1) A Bíblia Sagrada é a revelação divina, verbalmente inspirada pelo Espírito Santo;
2) Deus é único e triúno - o Pai, o Filho e o Espírito - coexistindo em igualdade de eternidade a eternidade;
3) o Filho de Deus, sendo o próprio Deus, encarnou-se para ser um homem, de nome Jesus, nascido da virgem Maria, para ser nosso Redentor e Salvador;
4) Jesus, um homem genuíno, viveu nesta terra por trinta e três anos e meio para tornar Deus Pai conhecido aos homens;
5) Jesus, o Cristo ungido por Deus com Seu Espírito Santo, morreu na cruz por nossos pecados e derramou Seu sangue para o cumprimento de nossa redenção;
6) Jesus Cristo, depois de sepultado por três dias, ressuscitou dos mortos, e que, em ressurreição, tornou-se o Espírito que dá vida para transmitir a Si mesmo para dentro de nós como nossa vida e tudo para nós;
7) após Sua ressurreição, Cristo ascendeu aos céus e Deus O fez Senhor de todas as coisas;
8) após Sua ascensão, Cristo derramou o Espírito de Deus para batizar Seus membros escolhidos de Deus para dentro de um único Corpo e que o Espírito de Cristo está se movendo na terra para convencer pecadores, regenerar o povo escolhido de Deus, habitar nos membros de Cristo para seu crescimento em vida e para edificar o Corpo de Cristo com vistas à Sua plena expressão;
9) no fim desta era, Cristo voltará para arrebatar os cristãos vencedores, julgar o mundo, tomar posse da terra e estabelecer Seu reino eterno;
10) os cristãos vencedores reinarão com Cristo no milênio e que todos os cristãos participarão das bênçãos divinas na Nova Jerusalém, no novo céu e nova terra, pela eternidade.

Não julgueis, para que não sejais julgados.



Referência Bíblica: Mt 7:1-5
"1 Não julgueis, para que não sejais julgados.
2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
3 Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão."
O primeiro versículo não é uma proibição irrestrita ao julgamento, pois no versículo cinco vemos que quando a vida de um indivíduo é pura, ele pode "tirar o argueiro do olho do seu irmão", a palavra argueiro significa algo bem pequeno, uma partícula, enquanto que a trave é algo bem grande, isto significa que para você julgar os atos dos outros, deve agir de maneira irrepreensível diante dos homens e de Deus, caso contrario, você estará olhando para os erros dos outros, enquanto você mesmo vive errando, primeiro devemos estar julgando a nós mesmos e depois aos outros, pois desta forma, teremos autoridade para julgar os outros, nesta questão.
Caso o irmão estiver vivendo em pecado, vá primeiramente até ele e tente resolver a situação entre vocês dois, não para acusa-lo ou criar uma contenda, mais com mansidão, calma e longanimidade, para que se estabeleça a paz, caso ele não te ouvir, leve outra testemunha, e caso ele não ouvir vocês dois, coloca o problema diante da igreja, no caso de ele não ouvir a igreja, ele deve ser considerado como incrédulo, e dependendo do caso até excluído da comunidade local: Mt 18:15-17 "Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus." ; 1 Co 5:11-13 " Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor."
É importante ressaltar que sempre que você repreende aos irmãos, deve agir com amor, mesmo no caso de que levemos o assunto a uma outra testemunha, sempre antes de falar com o irmão, devemos examinar o nosso coração, e se caso ainda estivermos com ira, devemos orar antes de conversar com ele, pois a intenção de nosso coração deve sempre ser a de restabelecer a paz e instruir o irmão, sobre a sua atitude, utilizando a palavra de Deus, pois o alvo principal de seu coração, deve ser o de ganhar a seu irmão, como podemos ver em Mt 18:15b" Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão", caso você fale com ele sem brandura você ira ofende-lo, e ele provavelmente não ira dar ouvidos a sua repreensão, as vezes ficando até com raiva de você: Pv 15:28 " O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldades."; 19:2 "Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado."; Gl 6:1 "Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado."; 1 Tm 5:1-2 "Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza."
Quando o irmão nos ofender, primeiramente, devemos guardar-nos e não expor a nossa ira, para que não haja contendas, brigas, discussões, depois devemos ouvir a unção do espírito, para saber como agir na situação, buscando sempre a melhor forma de estar agradando a Deus e manter a paz com os homens, pois a palavra de Deus também nos diz que é prudente aquele que oculta a afronta: Pv 12:16 "A ira do insensato num instante se conhece, mas o prudente oculta a afronta."; Pv 17:9 " O que encobre a transgressão adquire amor, mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos."; Pv 17:14 " Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas."
Quando perdoarmos nosso irmão, não devemos depois ficam espalhando o problema com outras pessoas, ou relembrar-mos a pessoa sobre aquela questão, ou guardarmos qualquer magoa no nosso coração, pois desta forma, não estaremos sendo sinceros, e o Senhor Jesus só ira perdoar nossos pecados se perdoarmos os pecados de nossos irmãos: Pv 10:18 "O que retém o ódio é de lábios falsos, e o que difama é insensato."; Pv 11:9"O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento." ; Mt 6:12 " e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores"; Tg 4:11-12 "Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?"; Tg 5:9 "Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas."
Quando formos repreendidos, devemos analisar se realmente estamos errados, caso estivermos mesmo errados, nós devemos nos arrepender rapidamente e pedir perdão a pessoa, pois tudo o que fizermos seremos cobrados no juízo e caso não tentemos restabelecer a paz com o irmão, nossa comunhão com Deus ficará prejudicada e podemos ficar até doentes ou morrer, devido ao ressentimento ou ódio que está no nosso coração: Mt 5:23-26 "Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo."; 1 Co 11:28-31 "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados."; 1 Jo 4:20-21 "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão."
Nós temos que fazer a nossa parte, buscando sempre estabelecer a paz com os irmãos, mas caso isso não for possível, temos que perdoar a pessoa em nosso coração e orar por ela, pois a palavra nós diz que Jesus não veio para trazer paz ao mundo e sim espada, muitos dentre os irmãos e as pessoas do mundo irão te contrariar, se você quiser seguir a vontade de Deus, com fidelidade, e muitos te rejeitarão: Mt 10:34 "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada."; Rm 12:18 "se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;" ; 2 Tm 3:12 "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.".
Devemos tomar muito cuidado quando julgamos as pessoas e não seus atos, o Senhor conhece até nossos pensamentos, e se acusarmos alguém em nosso pensamento, devemos pedir também perdão a Deus em pensamento, pois Deus julga o homem pelo seu coração: Pv 27:19 "Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim, o coração do homem, ao homem."; Mt 15:18-19 "Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias."
Assim como nosso Senhor Jesus, devemos evitar de julgar diretamente a causa dos outros, o nosso papel é o de instruir na palavra de Deus e não o de julgar o fato em si, pois o julgamento vem da própria palavra de Deus que dá luz a outra pessoa, como no exemplo de Jesus em Lc 12:13-31 "Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós? Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus. A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo: Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes. Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves! Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? {ao curso da sua vida; ou à sua estatura} Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras? Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé! Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações. Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas. Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.", no trecho acima, podemos ver que o Senhor usou a palavra de Deus e não foi juiz do caso, também não devemos condenar as pessoas, como podemos ver em Jo 8:3-11 "Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais."
Não devemos ser maldizentes, zombadores dos outros, caso seu irmão pecar contra ti e você acusar seu irmão, para uma outra pessoa, você está sendo utilizado pelo maligno, isto deve ser evitado, a nossa missão não é julgar o mundo e sim salvar as pessoas, quando por exemplo, um irmão novo na fé, mente para você, não quer dizer que ele seja mentiroso, assim se você, em vez de repreende-lo com amor, sair difamando-o de mentiroso para outras pessoas, você estará julgando-o e amaldiçoando-o, e está não é a sua função, você deve julgar o erro dele, como já foi citado acima, mas quando você passa a difama-lo, você estará julgando a pessoa dele, você estará prejudicando o irmão, em vez de ajuda-lo a deixar a mentira: Ap 12:10 "Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus."; Mt 5:22 "Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo."; 1 Tm 6:3-4 "Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas,".
Lembre-se sempre de não maldizer a ninguém, principalmente as autoridades que estão sobre nós, porque caso façamos isso, estaremos trazendo maldição para nossas vidas, pois toda autoridade provém de Deus: Rm 13:1-2 "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação."; Gn 9:20-27 "Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E ajuntou: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo. Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo."; o trecho acima é um exemplo de maldição à aqueles que difamaram a autoridade instituida por Deus, que no caso era Nóe, em vez de "cobrir com o rosto desviado" a nudez de Nóe, Canaã fez saber aos outros, para envergonhar o pai, o fruto de seu ato foi a maldição; Jd 8-10 "Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores. Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda! Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem."; Jd 16 "Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros.", isto não quer dizer que devemos obedecer as autoridades   caso elas nós coloquem contra a autoridade superior de Deus, como podemos ver no exemplo de Pedro, logo após o pentecostes em At 4:14-20 " Vendo com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário. E, mandando-os sair do Sinédrio, consultavam entre si, dizendo: Que faremos com estes homens? Pois, na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar; mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los para não mais falarem neste nome a quem quer que seja. Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus. Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.", no trecho acima, se eles obedecessem as autoridades, isso iria contra a ordenação divina, que era a pregação de Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Outro aspecto, muito importante  é a citação que já ouvi de autoridades da igreja, para intimidar os que estão abaixo de si, é que nunca se deve se levantar contra os ungidos de Deus, citando o caso de Davi e de Saul, em que Davi se encontra em uma caverna e corta apenas a orla do manto de Saul, estando este à procura de Davi para matá-lo, esta pregação não se aplica ao Nova Aliança do Novo Testamento, pois no Velho Testamento, no caso da época de Saul e Davi, Deus tinha uma pessoa que era o ungido de Deus para guiar o povo, mas no Novo Testamento, temos o próprio Cristo como nosso guia, através da unção que todos nós temos, em nosso espírito (1 Jo 2:27 "Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou."), este versículo, não descarta a necessidade de pessoas a nos ensinar, pois muitas vezes, o Espírito Santo utiliza pessoas, como podemos ver em Ef 4:11-12 "E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,", sendo assim, caso um autoridade da igreja, esteja em desacordo com a palavra de Deus, você pode exortá-lo como irmão, assim como Paulo, que era muito mais novo do que Pedro, e não tinha vivido com Jesus, mas mesmo tendo menos tempo de conversão, ele repreendeu a Pedro, quando este se desviou da palavra de Deus (Gl 2:11-14 "Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti -lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar -se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?" ), a autoridade máxima sobre sua vida, deve ser a palavra de Deus e não o homem, daí a importância de conhecermos bem esta palavra, para não cairmos no engano daqueles que conduzem ao erro (1 Jo 4:1 "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.")..
Quando formos afrontados, é importante observar-mos, quem está nos afrontando Pv 9:8 "Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará.", no caso deste versículo, nós devemos ouvir a unção para descobrir se a pessoa vai ser receptiva ou não, pois um escarnecedor é aquele que é maldizente, zombador, difamador, essa pessoa geralmente não vai te ouvir, pois a sabedoria está em compreender que a repreensão vinda de você , utilizando a bíblia, na verdade é o próprio Deus que está utilizando a você para repreende-lo, a palavra nos diz que Deus repreende a quem ama (Pv 3:11-12 "Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.").
Quando formos julgados e malditos pelas pessoas do mundo ou até mesmo pelos irmãos, por estar dando testemunho da palavra de Deus, devemos ficar felizes, pois assim também o próprio Senhor Jesus foi perseguido e os profetas do antigo testamento e os irmãos da história da igreja, não devemos amaldiçoa-los por isto, e sim suportarmos as afrontas pelo nome de Jesus, e orar pelos que nós perseguem, o tempo que antes você gastava falando mal de tudo e de todos, agora gaste orando por tudo e por todos: Mt 5:11-12 "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós."; Mt 5:38-39 " Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; Mt 5:44 " Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;"; 1Pe 4:14 "Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus." .
Quando julgamos, lembrar-nos de estamos julgando os erros da pessoa e não a pessoa (1 Co 4:5 "Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus."), para que ela seja edificada e não humilhada, seguindo sempre a unção do espírito, para isto, devemos sempre andar no espírito, para saber, se devemos ou não agir naquele momento, pois a regra é seguir a unção, sem deixar de obedecer a palavra, quanto mais julgarmos a nós mesmos menos necessidade haverá de sermos julgados pelos outros. A razão principal de enfatizarmos um controle sobre a nossa língua, no julgamento, é porque no muito falar excedem-se as transgressões, e quem controla a sua língua controla o corpo todo, e está é a chave para controlarmos todo nosso corpo, ou seja, andar no espírito e desta forma controlar a nossa língua : Pv 12:13 "Pela transgressão dos lábios o mau se enlaça, mas o justo sairá da angústia."; Pv 13:3 "O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína."; Mt 12:36-37 "Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado."; Tg 3:2 "Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo.". Jesus é o Senhor. Amém.

O Caminho da Salvação — A Fé Versus a Lei e as Obras
Nos capítulos anteriores deste livro, vimos que tudo o que o homem tem é pecado. Também vimos que é Deus que realiza tudo. Foi Ele que nos amou. Foi Ele que nos concedeu graça. Foi Deus que cumpriu a justiça, que levou o Senhor Jesus a morrer e ressuscitar por nós. Foi ainda Deus que enviou o Espírito Santo para nos convencer, iluminar e dar força para aceitarmos a obra de Deus. Deixe-me fazer-lhe uma pergunta muito comum. Que deve o homem fazer para ser salvo, visto que Deus completou toda a Sua obra? Deus fez toda a Sua parte. Hoje Ele colocou esta obra concluída diante do homem. Qual é, então, a condição para sermos salvos? Deus levou a cabo a obra da redenção. Como pode o homem agora receber a salvação? Como a redenção pode tornar-se salvação? Como pode a propiciação tornar-se substituição? Como pode o dom de Deus para nós, em Seu Filho, ser transmitido a nós no Espírito Santo? Aqui, estamos falando acerca da condição para a salvação. Que devemos fazer, de nossa parte, antes que o que é da parte de Deus seja transmitido a nós?
A CONDIÇÃO PARA A SALVAÇÃO — FÉ
Todos os que lêem a Bíblia sabem que a condição para a salvação é a fé. Não há outra condição senão a fé. O homem, por ter caído e ser corrupto, por seus pensamentos serem tortuosos e por estar a sua carne na esfera da lei, pensa que deve fazer algo para que seja salvo. Contudo, a Bíblia nos mostra que a única condição para nossa salvação é a fé. Além da fé não há outra condição. O Novo Testamento diz-nos claramente, pelo menos cento e quinze vezes, que quando o homem crê, ele é salvo, tem a vida eterna e é justificado. Quando o homem crê, ele tem todas essas coisas. Somando-se a essas cento e quinze vezes, outras trinta e cinco vezes a Bíblia diz que o homem é justificado pela fé, ou torna-se justo por meio da fé. No primeiro caso, temos o verbo crer. No segundo caso, temos o substantivo fé. O verbo crer é usado cento e quinze vezes. Uma vez que o homem crê, ele é salvo (At 16:31). Uma vez que o homem crê, tem a vida eterna (Jo 3:36). Uma vez que o homem crê, ele é justificado. Além desses versículos, há trinta e cinco ocorrências em que o substantivo fé é usado. O homem é salvo mediante a fé. Ele recebe vida eterna pela fé, e é justificado mediante a fé. Portanto, em todo o Novo Testamento, pelo menos cento e cinqüenta vezes é dito que o homem é salvo, justificado, e tem vida eterna unicamente por meio da fé. Não é uma questão de quem a pessoa seja, do que ela faça ou do que possa fazer. Tudo depende do crer. Tudo depende da fé.
Outra questão que merece especial atenção é que em todas essas cento e cinqüenta ocorrências da fé e do crer, nenhuma outra condição é adicionada. Esses versículos não dizem que o homem deve crer e a seguir fazer algo para receber a vida eterna. Eles não dizem que o homem deve crer e fazer algo antes que possa ser justificado. Tampouco dizem que o homem deve crer e fazer algo antes que possa ser salvo. A Palavra do Senhor menciona a fé de maneira clara e definida. Nada além é misturado ou vinculado à condição da fé. Portanto, a Bíblia nos mostra claramente que do ponto de vista de Deus, não há outra condição para a salvação além de crer.
Um dos livros mais lidos e apreciados no Novo Testamento é o Evangelho de João. Se alguém o ler cuidadosamente, verá que João escreveu esse livro com o único propósito de dizer-nos como o homem pode receber vida e ser salvo e como pode ser libertado da condenação. O Evangelho de João menciona oitenta e seis vezes que é por fé somente, e por nada mais, que o homem recebe a vida, é justificado, e não entra em condenação. Portanto, a Bíblia nos mostra clara, adequada e simplesmente que a salvação não é baseada no que o homem é, no que ele tem tampouco no que fez. A Bíblia nos mostra que quando o homem crê, ele recebe (Jo 1:12). Ele recebe por meio de crer.
Dissemos que a salvação e a redenção são realizadas por Deus. Mesmo a maneira e o plano para cumpri-las são arranjados por Deus. Também vimos que a graça é cumprida por Deus por meio do Senhor Jesus. Temos de lembrar que se do lado de Deus é graça, então do nosso lado deve ser fé. Se estendo minhas mãos para dar uma xícara de chá a um irmão, ele não pode recebê-la estendendo seus pés. A maneira que os outros utilizam para dar-lhe algo deve ser a mesma que você usa para recebê-lo deles. A maneira de receber deve ser a mesma usada para dar. Se as pessoas o chamam pelo telefone, então você tem de responder usando o telefone. Se lhe escreverem uma carta, você tem de receber a carta. A maneira como algo é recebido deve ser a mesma como foi enviado.
De acordo com a Bíblia, graça é o que Deus nos deu por intermédio de Jesus Cristo (1 Co 1:4). Para Ele, fazer isso está no princípio da graça. Uma vez que esteja no princípio da graça do lado de Deus, então, do nosso lado, está no princípio da fé. Fé e graça são dois princípios inseparáveis. Graça é Deus dando algo a nós, e fé é o nosso receber algo da parte de Deus. Fé nada mais é que receber o que Deus nos deu em espírito. Isso é totalmente independente de obra. Somente dessa maneira o homem pode receber a graça de Deus. Se recorrermos a quaisquer outros meios, não seremos capazes de receber a graça de Deus.
Embora a Bíblia nos mostre que é pela fé que se recebe a graça de Deus, muitas doutrinas têm surgido como resultado da má interpretação por parte do homem. O homem cria teorias baseadas em seus próprios pensamentos e em sua mente obscurecida. Elas envolvem o que ele deve fazer para que seja salvo. Assim como o homem tem criado ídolos com seu coração tortuoso e os considera deuses, da mesma forma ele tem estabelecido condições para a salvação com seu coração tortuoso e pensamentos obscurecidos. Por essa razão, devo chamar sua atenção para as diferentes condições que o homem estabeleceu para a salvação e considerar se esses caminhos de salvação são confiáveis ou não. Se o homem não vê a verdade de Deus e não compreende Sua Palavra, ele não perceberá que a condição para salvação é a fé. Contudo, se o homem vê a luz de Deus e compreende a verdade de Deus, ele não será capaz de contrariar o fato do Novo Testamento de que a salvação é mediante a fé. O problema hoje é que depois de reconhecer a fé como a condição da salvação, ele adiciona algo mais à fé. A controvérsia entre Deus e o homem não é a de crer ou não crer, mas é a de crer com arrependimento, crer com as obras da lei, crer com batismo, ou crer com testemunho, como um pré-requisito para a salvação. A Palavra de Deus diz-nos que uma vez que creiamos, somos salvos. Porém, o homem hoje acrescenta a palavra com. De acordo com sua mente obscurecida, ele proclama que o homem é salvo mediante a fé com alguma coisa. O que iremos considerar não é se alguém pode ser salvo pela fé. Essa questão já está resolvida. A questão hoje é se a fé é suficiente ou não. Precisamos adicionar com à fé para que sejamos salvos?
A SALVAÇÃO NÃO É A FÉ COM AS OBRAS DA LEI
A primeira questão é se o homem é salvo por meio da fé com o guardar da lei. A maneira do homem para a salvação é a fé mais o guardar a lei. Já falamos sobre a questão da lei, mas vamos repetir novamente. A Bíblia dedica muito tempo para tratar dessa questão. Os pregadores, portanto, também devem dedicar muito tempo para lidar com essa questão. Visto que o homem presta muita atenção à lei, a Bíblia dedica dois livros para tratar desse problema. Temos de conhecer o motivo pelo qual Deus deu a lei. Deus deu a lei aos israelitas, não para que a guardassem, mas para expor seus pecados. Originalmente, os israelitas tinham pecados, mas estes não se haviam tornado transgressões. De Adão a Moisés, o homem tinha pecados (Rm 5:14), mas não tinha qualquer transgressão. Deus deu a lei para tornar os pecados do homem em transgressões (Rm 5:13, 20a).
Como foram os pecados do homem transformados em transgressões? Suponha que haja uma pessoa que tem a disposição e o temperamento de caminhar de um lado para outro, do lado de fora do salão de reuniões, todos os dias. É algo que ele gosta de fazer. Ele tem de fazer isso todos os dias, todas as semanas, todos os meses e todos os anos. Ninguém consegue explicar por que ele faz isso. Mas em seu temperamento, disposição e vida, há tal coisa que o impele a andar de um lado para outro, do lado de fora do salão de reuniões. Embora ele tenha esse hábito, não podemos dizer que isso signifique qualquer transgressão. Você pode não gostar do que ele faz e pode achar que esteja errado, mas ele não tem percepção de que isso está errado. Quando ele perceberá que é errado? Suponha que você tome duas fitas vermelhas brilhantes e as amarre naquele espaço obstruindo a passagem. Quando ele vier no dia seguinte, verá as duas fitas e perceberá que não deve passar por elas. Seu hábito sempre foi o de andar por ali. Há algo nele que o compele a andar por ali. Suponha que ele dê uma olhada nas duas fitas e contemple a cor brilhante, a textura de seda, o belo laço, e em seguida as desamarre e passe direto por elas. Nesse caso, o seu caminhar é diferente do anterior. Seu caminhar anterior era um pecado sem transgressão. Agora é o mesmo caminhar, mas ele caminha em transgressão.
Deus diz que a lei é perfeita. Ela é boa, justa, santa e excelente
(Rm 7:12). Contudo, o homem é cheio de pecado. Ele é cheio de pecado por dentro e por fora. Entretanto, de Adão a Moisés, embora o homem tivesse pecado, ele não tinha transgressões. Deus estabeleceu a lei, não para que o homem não pecasse, mas para expor os pecados do homem e torná-los em transgressões. Hoje a lei está aqui. Uma vez que uma pessoa quebre a lei, ela percebe que pecou. Portanto, podemos dizer que Deus deu a lei ao homem não para que este a guarde, mas para que veja que pecou. Quando não havia a lei, ele não percebia que tinha pecado. Agora ele sabe.
O estranho é que o homem toma a lei, que está ali para provar seu pecado, a fim de tentar provar que é justo. Ele inverte o objetivo da lei. Deus quer que pela lei saibamos que pecamos, mas nós queremos provar pela lei que somos justos. Deus quer mostrar-nos pela lei que estamos perecendo, mas queremos provar pela lei que estamos salvos. O homem não se enxerga. Seus pensamentos estão cheios da lei. Ele não vê que é corrompido interiormente e que não consegue guardar a lei. A carne do homem não consegue guardar a lei de Deus. Ela não se submeterá à lei de Deus. Entretanto, o homem ainda quer procurar justiça na lei e ganhar vida por meio dela. Deus usa a lei para mostrar ao homem que ele está desamparado e que necessita receber a salvação. Mas quando ele vê as ordenanças, tenta obter um pouco de justiça por meio delas e ser salvo. Romanos 3:19 diz: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus”. Esse versículo diz que a lei foi dada com o fim de calar toda boca, para que ninguém possa dizer qualquer coisa, e para que todos estejam sujeitos ao julgamento de Deus. Em seguida, há um veredito com respeito a nós: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (v. 20). Pode-se ver que a intenção original da lei foi expor o pecado, não justificar o homem. Está muito claro que o propósito da lei de Deus era expor o pecado e não estabelecer nossa própria justiça.
No Antigo Testamento, Deus não somente deu a lei ao homem, como também os tipos, os quais eram as leis cerimoniais. Elas explicavam como alguém deveria oferecer sacrifícios e como pagar o valor para a expiação. Essas questões tipificam o cumprimento da redenção do Senhor Jesus e da Sua subseqüente salvação para nós no Novo Testamento. Isso é o que Deus nos tem mostrado. É tão estranho que o homem tente estabelecer sua própria justiça não só por meio da lei, mas também por meio desses tipos. Ele tenta estabelecer sua justiça por meio dessas ordenanças. Nós até mesmo encontramos um fariseu que, orando, dizia que jejuava duas vezes por semana e que ofertava a Deus a décima parte do que possuía (Lc 18:11, 12). Ele pensava que essa era a sua justiça e que por meio dela poderia ser salvo. O homem não vê o propósito pelo qual Deus estabeleceu a lei. Ele compreende mal o propósito de Deus. O homem duvida que seja tão fácil ser salvo. Ele acha que é verdade que o homem de fato é salvo por crer no Senhor Jesus. Nós, que somos cristãos, acima de tudo reconhecemos a necessidade de crer. É correto crer, mas muitos dizem que deveríamos também guardar a lei. O que o homem está dizendo hoje não é se alguém pode ser salvo pela lei ou não. O que ele está dizendo é que os que crêem em Jesus devem também guardar a lei para ser salvos. A fé em Jesus é uma doutrina indiscutível na Bíblia. Contudo, os cristãos dizem que se deve acrescentar a isso o guardar a lei. O homem não vê que crer em Jesus e guardar a lei são duas coisas totalmente contraditórias. Elas jamais podem ser juntadas. A diferença entre a fé em Jesus e as obras da lei é a mesma entre o céu e o inferno. Assim como o céu é imensamente diferente do inferno, a fé em Jesus é imensamente diferente das obras da lei.
A quem foi dada a lei? Foi dada aos judeus. Por que, então, o Novo Testamento menciona repetidas vezes o guardar a lei? No Novo Testamento, os apóstolos, ou melhor dizendo, o Espírito Santo, sabia claramente que seus leitores podiam não ser necessariamente todos judeus. Somente uma minoria dos que creram em Jesus bem no início eram judeus. Alguém perguntou-me certa vez: “Você diz que os judeus são os que receberam a lei. Mas quem são os judeus?” Eu lhe disse que os judeus eram como porquinhos-da-índia. Quando um pesquisador de produtos farmacêuticos não tem segurança sobre um remédio, ele não o experimentará em seres humanos. Em vez disso, ele primeiramente o injeta em porquinhos-da-índia. Se os porquinhos-da-índia morrem imediatamente, então o remédio não pode ser utilizado. Somente após o remédio provar que é eficaz é que será injetado em seres humanos. O mesmo é verdade para remédios administrados por via oral. Primeiro, ele é dado aos porquinhos-da-índia. Se funcionar, então o remédio é usado. Caso contrário, ele é descartado. O mesmo é feito para imunização contra bactérias. Se funcionar no porquinho-da-índia, funcionará no homem. Se não funcionar no porquinho-da-índia, não funcionará no homem. Eu diria, do modo mais respeitoso possível, que os judeus são os porquinhos-da-índia. Deus testou a lei nos judeus. Se os judeus pudessem cumpri-la, então poderia ser usada. Se não pudessem cumpri-la, então ela não poderia ser usada. Deus aplicou a lei nos judeus e eles não conseguiram cumpri-la. Isso significa que o mundo todo não pode cumpri-la. Os judeus foram selecionados por Deus como objetos de uma experiência. Os judeus são os representantes do homem no mundo todo. Portanto, vê-se que a lei foi oficialmente dada aos judeus. Mas o princípio da lei é dado a todos os homens. É dado a toda carne. Deus deu a lei ao homem para preveni-lo de que o homem é proveniente da carne e é carnal.
Que é o cristianismo? O cristianismo não diz aos filhos de Adão que façam o bem. Isso não é o cristianismo. O cristianismo diz que Adão está crucificado e eliminado, e que a raça adâmica é aniquilada pela cruz do Senhor Jesus. O homem em Cristo recebe uma nova vida e torna-se uma nova raça. A lei é inútil para a nova raça, pois não existe coisa semelhante à lei na nova raça. A lei foi dada por Deus aos filhos de Adão para expor os seus pecados. Se alguém quiser ser salvo por guardar a lei, ele deve perceber a séria conseqüência das palavras guardar a lei. Uma vez que o homem guarde a lei, ele obterá justiça. Contudo, essa justiça será proveniente da carne. Em outras palavras, significaria que os filhos de Adão, isto é, a raça adâmica, não precisam morrer. Significaria que o homem pode agradar a Deus com sua carne. Talvez alguém argumente que o homem não pretende guardar toda a lei, que ele compreende que é impossível guardá-la na sua totalidade, que o que ele pretende é crer em Jesus, e então, guardar a lei. Todavia, se a obra da lei tiver uma milionésima fração de aceitação diante de Deus, isso significa que Adão não precisaria morrer. Isso anularia a própria natureza do cristianismo. O cristianismo não está aqui para estabelecer uma base para Adão. Não está aqui para manter a velha criação. Ele está aqui para transferir-nos para a nova criação. Somos carne, e não podemos obter a justiça que provém de guardar a lei.
Desde a queda do homem, havia o querubim e a espada flamejante guardando a árvore da vida no jardim do Éden (Gn 3:24). Por que o querubim e a espada flamejante estavam guardando o caminho para a árvore da vida? Para evitar que o homem comesse da árvore da vida. Após o homem ter se tornado pecador e ter comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, não havia outro caminho para ele voltar à árvore da vida e comer do seu fruto exceto ser julgado pelo querubim e morto pela espada flamejante. Deus nos mostra que o homem não pode comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e ao mesmo tempo comer do fruto da árvore da vida. O homem não pode comer de ambos. O homem não pode receber a semente do pecado em uma das mãos e tomar a salvação do Senhor na outra.
Aqui reside a diferença entre o cristianismo e o judaísmo. O judaísmo diz ao homem na carne que pelo fato de guardar a lei ele viverá. Mas o cristianismo diz que ele não pode viver, pois não consegue guardar a lei. O cristianismo afirma claramente que o homem não consegue fazê-lo. Não há possibilidade de ele guardar a lei. Portanto, podemos ver que no Antigo Testamento, Deus deu a lei para que o homem a guardasse. No Novo Testamento, vemos que o homem não consegue guardar a lei de modo nenhum, tampouco deve guardá-la. Essa é uma das maiores verdades na Bíblia. Agora o perigo é que se juntamos a fé com a lei, anulamos o princípio da Bíblia. Imediatamente Adão terá a base, e o homem carnal será capaz de viver novamente. O julgamento de Deus é que o homem deve morrer. Por meio de Jesus Cristo, Deus eliminou o homem. Ele não quer que o homem carnal consiga coisa alguma. Hoje, se o homem ainda tenta produzir algo a partir da carne, ele subverte o princípio do Novo Testamento. Se for dado terreno à lei, então a carne também terá terreno. Mas Deus diz que a carne não tem terreno, que todos os terrenos foram removidos.
Podemos indagar se isso é anular a lei. Precisamos lembrar que, de acordo com a Bíblia, a lei exige duas coisas de nós. Primeiro, a lei diz que aquele que a guardar, viverá (Rm 10:5). A lei requer que a guardemos e façamos algo. Uma vez que o homem a guarde, obterá justiça. Se tivermos justiça, teremos a recompensa, que é a vida. Mas há um segundo aspecto. A lei diz que no dia em que comermos da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreremos (Gn 2:17). Por um lado, a lei requer que o homem guarde algo. Por outro, sua punição é a morte para todos os que não guardam a lei. Todos os que não guardam a lei recebem a retribuição por não guardar a lei. Portanto, no Antigo Testamento, em princípio, vemos que a lei exigia que o homem a guardasse e que fosse justo. Os que não a guardassem eram condenados e punidos.
Em Xangai, o departamento de Trânsito tem muitas leis. Por exemplo, para dirigir ao escurecer, a pessoa deve ter faróis na sua bicicleta. Se não houver farol na bicicleta, então haverá uma multa de sessenta centavos. Esse regulamento requer duas coisas: que a pessoa instale um farol e que aqueles que não o fizerem sejam punidos. Que é, então, anular a lei? Anular a lei significa que alguém não tem um farol e tampouco tem de ser punido. Que é guardar a lei? Guardar a lei é satisfazer uma das exigências. Os que têm um farol, estão guardando a lei. Os que não têm um farol, mas estão dispostos a pagar sessenta centavos, também estão guardando a lei.
O problema hoje é que não conseguimos guardar a lei. A lei de Deus requer que sejamos justos. Se não somos justos, então falhamos. Somente sendo justos podemos viver. Mas nenhum homem é capaz de guardar a lei. Ninguém entre nós pode ter justiça diante de Deus pelo fato de guardar a lei. Uma vez que o homem toque a lei de Deus, ele falhará. Paulo disse em Romanos 7:7 que mesmo que Deus tivesse somente uma lei, o homem não seria capaz de guardá-la. Paulo não transgredia todas as leis. Ele mencionou somente uma lei, acerca da cobiça. Na lingua original, a cobiça é concupiscência. Paulo disse: “Estou desamparado. A concupiscência insiste em voltar todas as vezes. Para mim é impossível não ter concupiscência”. Ele não podia fazer o farol da sua bicicleta funcionar, contudo ele tinha de andar pela cidade. Para alguns, o problema não é que o farol não funciona. Eles simplesmente não querem ter a luz. Essas pessoas nem mesmo querem acender o farol. Que é anular a lei? É quando alguém argumenta com Deus dizendo: “Ó Deus, não posso guardar Sua lei hoje. Por favor, deixe-me ir, por conta do Senhor Jesus. Fiz o melhor que pude. Por favor, não me castigue”. Todos que suplicam ao Senhor Jesus, que seja brando, ou a Deus, que tenha misericórdia deles, estão anulando a lei. Por um lado, eles não querem guardar a lei. Por outro, não querem a punição da lei. Eles não querem ter o farol, contudo, ao mesmo tempo, querem evitar a multa de sessenta centavos. E quanto a nós hoje? Temos nossos faróis? Se temos os faróis, então podemos andar sossegados pela cidade. Mas nenhum de nós é capaz de ter o farol. Portanto, a única maneira é pagar os sessenta centavos. Isso é o que o Senhor Jesus fez por nós. Esse é o julgamento que experimentamos em Cristo. Devemos dizer: “Louvamos e agradecemos ao Senhor, pois já fomos julgados em Cristo!” Fomos punidos em Cristo. Deus já nos puniu em Cristo. Uma vez que o Senhor Jesus morreu, ressuscitou e ascendeu, a salvação que agora recebemos é equivalente à que obteríamos se guardássemos a lei. Aqueles que têm o farol, estão livres. Os que foram punidos também estão livres. Hoje, se um homem conseguir guardar todas as leis, ele será justificado e será salvo, da mesma maneira que nós, os que cremos em Jesus, somos salvos e justificados. É claro que não somos apenas salvos quando cremos em Jesus; ao salvar-nos, o Senhor Jesus concedeu-nos muitas outras coisas além de conceder-nos também a lei.
Paulo disse em Romanos 3:31: “Anulamos, pois, a lei, pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei”. Portanto, quando somos salvos pela fé em Jesus, não anulamos a lei. Uma vez que encontramos a exigência da lei em nós, a lei nada tem a dizer. Nunca pense que deveríamos adicionar a obra da lei à nossa fé. Para nós, crer é como pagar os sessenta centavos. Para nós, guardar a lei é como ter o farol. Ninguém no mundo inteiro teria o farol e pagaria sessenta centavos ao mesmo tempo. Isso é ilógico. Por que alguém teria de pagar sessenta centavos e ao mesmo tempo ter o farol? Se ele pode ter o farol, então não tem de pagar os sessenta centavos. Se existir a palavra da fé, então não pode haver a lei. Se existir a lei, não pode haver a palavra da fé. Ninguém pode ter a fé e guardar a lei ao mesmo tempo, pois fazer isso seria desprezar o Senhor Jesus. Isso significaria que a pessoa não consegue ver sua completa fraqueza e imundícia.
Por favor, leia novamente Gálatas 2:16, 17: “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei, ninguém será justificado. Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, dar-se-á o caso de ser Cristo ministro do pecado? Certo que não”. O livro de Gálatas nos mostra que alguns na Galácia contendiam sobre não ser suficiente o homem ser justificado pela fé no Senhor Jesus; ele ainda devia guardar a lei. Eles não estavam dizendo que o homem não deveria crer. Eles certamente reconheciam que um homem é justificado em Cristo. Mas estavam dizendo que ele ainda precisava guardar a lei. Paulo estava dizendo uma palavra muito dura aqui. Ele estava dizendo que se enquanto procuramos ser justificados em Cristo somos achados pecadores, significa que após termos crido no Senhor Jesus, nós ainda não fomos justificados, ainda somos pecadores, e ainda devemos guardar a lei para ser salvos. Por exemplo, suponha que eu esteja doente e passe dez dias sob os cuidados de um médico. Depois disso, porque a doença ainda permanece, tenho de consultar outro médico. Se busco ser justificado em Cristo e ao mesmo tempo tento guardar a lei, significa que ainda sou um pecador e que ainda não fui salvo. Se já não sou pecador, então nunca mais deveria guardar a lei. Se ainda sou pecador, Cristo é ministro do pecado? Paulo perguntava: Se ele não era justificado depois de ter crido no Senhor Jesus, aquilo significava que Cristo era um ministro do pecado? A resposta é: “De modo nenhum!” No Novo Testamento, Paulo disse “De modo nenhum” muitas vezes. No grego, essa é uma expressão peculiar. É traduzida na versão King James como “Deus não permita”. É equivalente à expressão “os céus não permitam”, uma palavra muito forte. Isso significa que até mesmo os céus rejeitariam isso. Não há razão debaixo do sol para que isso sucedesse. Portanto, está claro que o homem não pode ter fé em Jesus e ao mesmo tempo guardar a lei.
Em Romanos 3, Paulo fez outra afirmação clara. O versículo 28 diz: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”. Essa é uma afirmação conclusiva. Agora é uma questão de fé. Nada tem a ver com a lei, absolutamente. Graças ao Senhor! Jesus é suficiente. Para a Bíblia, dar atenção à fé é dar atenção à graça de Deus. Isso nos mostra que tudo vem pelo receber. Alguns gostam de exaltar os homens em sua pregação do evangelho. Mas se conhecemos a Bíblia, veremos que fora de Deus o homem é totalmente desamparado. Lembre-se, destas duas sentenças: o homem não é salvo pela lei, tampouco é salvo pela fé com a lei. Este é o primeiro e mais comum engano do homem. O homem misturou a fé com a lei.
A SALVAÇÃO NÃO É A FÉ COM BOAS OBRAS
“As obras da lei” é uma expressão que encontramos na Bíblia (Gl 2:16). Já tratamos desse aspecto. A compreensão mais freqüente da condição da salvação é que a salvação é pela fé e também pelas obras. Salvação pela fé é uma doutrina da Bíblia, e o homem não pode argumentar contra ela (Ef 2:8). Contudo, o homem diz que ela é também pelas obras. Consideremos agora o que a Bíblia diz sobre isso. Freqüentemente somos brandos e complacentes em nosso falar, mas a Bíblia não é branda no seu falar. Ela é muito precisa. Efésios 2:8 e 9 dizem: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. Aqui ela nos diz que a salvação é absolutamente pela graça e mediante a fé. A palavra mediante significa atravessar. É como dizer que a luz elétrica brilha pela eletricidade e mediante o fio condutor. É também como dizer que a água da torneira vem do reservatório no departamento de águas e mediante os encanamentos. O homem é salvo pela graça, mas o canal mediante o qual a salvação vem a nós é a fé. O canal não são as obras, mas a fé. É mediante a fé e nada tem a ver com as obras. Não é adicionar a fé às obras. É preciso saber que a fé e as obras são basicamente opostas entre si. A graça do Senhor Jesus é baseada no amor de Deus. Quando cremos, a graça e o amor fluem para dentro de nós. Como resultado, somos salvos, temos vida, e somos justificados. Nada disso é transmitido a nós por meio das obras.
Graças ao Senhor que não é por causa das obras! Por que deveria sê-lo? A resposta aqui é que ninguém deve vangloriar-se. O que Efésios 1 nos diz é que Deus quer ter toda a glória. É por isso que Ele faz toda a obra. Suponha que certo irmão seja muito capaz e educado e tenha sofrido muito pelo Senhor. Se outro irmão vem a mim e diz: “Irmão Nee, eu louvo você e o glorifico pela excelente obra que esse irmão realizou”, certamente diríamos que ele está mentalmente doente. A glória só pode ir para aquele que realizou a obra. Não existe tal coisa no mundo, como alguém trabalhar e outro receber a glória. Os que trabalham merecem o pagamento. Quem quer que trabalhe, este mesmo recebe a glória. Por que Deus fez toda a obra de nos salvar? É para que Ele tenha toda a glória. A razão de Deus nos ter concedido a graça é que Ele receba toda a glória. Ele não quer que trabalhemos para que não nos vangloriemos. Vangloriar-se é glorificar a si mesmo. Se fizermos qualquer coisa que mereça alguma glória, não agradeceremos nem louvaremos a Deus diante Dele. Imediatamente diremos: “Sem dúvida, a salvação é concedida a mim por Ti. É a Tua obra. Mas acrescentei minha parte a ela. Se não tivesse acrescentado minha parte, não seria como sou hoje”. O homem gosta de superestimar seus próprios méritos. Ele gosta de superenfatizar suas próprias virtudes. Se Deus dissesse que cumpriria noventa e nove por cento da obra da salvação e que deixaria um por cento para nós, este um por cento silenciaria os céus. Os anjos não louvariam mais, e as pedras não clamariam mais. Em vez de as pedras se tornarem os filhos de Abraão, os filhos de Abraão tornar-se-iam as pedras, pois de cem por cento, alguns reivindicariam um por cento. Eles, então, contariam a maravilha de sua própria obra e diriam: “Eu passei por aquilo desta maneira ou daquela maneira. Como você conseguiu passar? Qual foi sua contribuição?” Cada um estaria se gabando de sua própria obra e Deus não teria possibilidade de obter a glória.
Agradecemos e louvamos ao Senhor! Uma vez que Ele quer obter toda a glória, Ele não deixou uma única coisa para fazermos. Quando alcançarmos o céu, teremos de dizer que ainda somos pessoas desamparadas. Somos capazes de chegar lá por causa da graça “gratuita”. Essa palavra “gratuita” calará no céu todas as súplicas e o encherá com ações de graça e louvor. Tudo será ações de graça e louvor, porque tudo é realizado por Deus. Devemos ver que esta é a verdade da Bíblia. A obra do homem e a graça de Deus não podem ser misturadas. Uma vez que o homem trabalhe, isso entra em conflito com a glória. Portanto, se estou na rua, em minha casa, ou na reunião do partir o pão, posso dizer de coração: “Deus, agradeço e louvo a Ti, porque nada tenho a ver com minha salvação. Minha salvação provém cem por cento de Ti. Portanto, que posso fazer senão louvar a Ti?” Deus se agrada do louvor. A Bíblia chama determinado tipo de oração de repugnante, mas a Bíblia nunca chama qualquer tipo de louvor de repugnante. Algumas orações são rejeitadas por Deus, mas Deus nunca rejeita qualquer louvor. Deus quer ter toda a glória, pois Ele realizou toda a obra.
Isso significa que podemos ser relaxados e que não precisamos mais fazer o bem? Efésios 2:10 explica: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Os versículos 8 e 9 nos mostram o que Deus fez por nós objetivamente. O versículo 10 imediatamente nos mostra as questões subjetivas. Deus não nos salvou de maneira tola. Ele nos deu nova vida, nova natureza e novo espírito interiormente. O Senhor Jesus está vivendo em nós por meio do Espírito Santo e nos preparou para toda boa obra. Lembre-se de que Deus não incluiu essas boas obras nos dois versículos anteriores. Não importa quantas boas obras você tenha feito após ser salvo. A salvação ainda provém da graça. Não importa quão rápido você avance espiritualmente, pois a salvação ainda provém da graça gratuita do Senhor Jesus. Mesmo que tenha uma obra como a de Paulo, um resultado como o de Pedro, amor como o de João, e sofrimento como o de Tiago — mesmo que tenha todas estas quatro coisas — você ainda é salvo por meio da graça gratuita. No futuro, embora sua obra possa mostrar que é salvo, ela jamais será sua condição para salvação. Minha fé não significa muito. Ela é apenas um receptor da obra de Deus.
O homem não é salvo por obras. Ninguém pode argumentar contra isso. Mas o homem é muito miserável. Por ser seu coração obscurecido e cheio de pecado, por ser sua carne má e cheia da lei, embora ele reconheça a fé, ele pressupõe que deve também adicionar obras. O homem não vê que é depois de ser salvo pela fé que alguém tem as obras. A salvação nada tem a ver com obras. Não estou dizendo que não precisamos das obras. Nós damos atenção à obra. Contudo, essa não é a condição para a salvação. A salvação é um problema totalmente diferente. Não devemos esquecer que a Bíblia diz que se dermos mesmo uma pequena atenção à obra, a graça de Deus é anulada (Gl 2:21). Uma vez que é graça, ela deve provir somente da fé e não da obra.
Romanos 4:4 e 5 diz: “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim, como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça”. Agora temos clareza. Se um homem pode ser salvo por obras, então a salvação torna-se uma recompensa. Não é mais a graça, mas torna-se algo que a pessoa merece. Se é algo que alguém merece, então não mais é gratuito. A palavra gratuitamente na Bíblia (Rm 3:24), significa na língua original sem motivo. Em outras palavras, não existe razão para isso. O Senhor Jesus disse no Evangelho de João: “Odiaram-Me sem motivo” (15:25). Na língua original, pode significar: “Eles odiaram-Me gratuitamente”. O Senhor nunca fez nada para merecer aquele ódio, mas eles O odiaram assim mesmo. Não havia uma razão para isso. Era gratuito. A graça de Deus naqueles três anos e meio foi dada gratuitamente a nós.
Somos como o filho mais novo em Lucas 15. Um dia chegamos a Deus e dissemos: “Deus, dá-me a parte da herança que cabe a mim”. Deus nos deu o que deveríamos ter. Após tomarmos nossa herança, desperdiçamo-la com más companhias. Hoje, voltamos à casa do Pai. A veste que usamos, nossos anéis, sandálias e o novilho cevado que comemos não são o que merecemos. Já gastamos o que era nosso por direito. Não merecemos o anel. Não merecemos a veste. Não merecemos comer o novilho cevado, e não merecemos usar as sandálias. Que é, então, graça? Quando os que não merecem ser salvos são salvos, isso é graça. Graça é o que aqueles que não deveriam obter, obtiveram. Aquilo que o filho mais novo levou da primeira vez não era graça. Ele já o gastou. O que ele recebeu da segunda vez foi totalmente graça. Sua própria porção foi gasta há muito tempo. Quando ele desfruta outra comida em casa, que não é aquela que ele merecia ter, isto é a graça do Pai.
Portanto, se alguém trabalha, a questão do salário passa a existir, e não é mais graça. A graça está em conflito com o que alguém merece. Como, então, opera a fé? Quando não é obra ou labor, mas somente a fé no Deus que justifica o pecador, essa fé é imputada como justiça. Esta é a relação entre fé e graça. Se é obra, então não é graça. Se é graça, então existe somente a fé. Crer é aceitar o que Deus realizou. Não é quanto eu tenha feito. Devemos enfatizar que, diante de Deus, não somos justificados por aquilo que realizamos. Somos justificados pela fé. Hoje temos a justificação pela fé. Portanto, a questão da obra terminou para sempre.
Todos os que me conhecem bem sabem que gosto de molho de soja. Se não houver muitos pratos à mesa está tudo bem, contanto que eu tenha molho de soja, posso passar muito bem. Certa vez, alguém que me servia viu que meu molho de soja estava quase no fim. Ele foi ao mercado e comprou mais. A seguir misturou-o com o molho de soja bom. Quando experimentei, notei que o sabor era diferente. Perguntei por que o molho de soja estava com um sabor diferente aquele dia. Verifiquei com o que servia se ele havia posto o molho de soja da mesma garrafa. Ele respondeu que sim. Eu queria descobrir se meu paladar havia mudado. Parecia pouco provável. Então perguntei-lhe se havia misturado com alguma coisa mais. Ele teve de admitir que tinha. Hoje, o homem faz a mesma coisa com a obra de Deus e a Sua graça. Ele tenta misturar algo mais a elas. Uma vez que misturamos algo dessa maneira, a graça se torna algo diferente da graça. Isso é porque Deus diz que se é proveniente da graça, então não mais é proveniente da obra (Rm 11:6). Se é proveniente de obra, então não mais é proveniente da graça. A obra jamais pode ser misturada com a graça. Portanto, não apenas devemos dizer que a salvação é proveniente da fé, mas dizer que a salvação é proveniente unicamente da fé.
Amo Romanos 3:27. Essa palavra é baseada nos versículos 25 e 26. Ali diz como o Senhor Jesus se tornou um lugar de propiciação e como Deus justificou os que crêem Nele. Não é injusto que Deus faça isso. Portanto, o versículo 27 diz: “Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída”. Não há maneira de nos vangloriarmos. Não há mais possibilidade de nos gabarmos. A frase seguinte é muito importante. Ela diz: “Por que lei?” Isso significa que não temos mais nada de que nos gabar. Por qual maneira estamos livres de nos vangloriar? Por qual princípio estamos livres de nos gabar? O versículo 27 continua: “Das obras? Não, pelo contrário, pela lei da fé”. Paulo perguntou como o homem pode ficar livre de se gabar e como a jactância pode ser removida. Sua resposta é pelo princípio da fé. Se alguém estiver no princípio da fé, então ele não estará no princípio das obras. Se é pelo princípio das obras, então a jactância não pode ser excluída. Mas agradecemos ao Senhor. Hoje, temos o princípio da fé. Portanto, não podemos gabar-nos. Podemos somente louvar.
Filipenses 2:12 diz: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”. Muitos nos têm dito que Paulo disse explicitamente em Filipenses que temos de desenvolver nossa própria salvação. Se temos de desenvolver nossa salvação, isso não significa que temos de fazer alguma coisa? É verdade que o Senhor realizou a obra, mas o homem também tem de fazer algo. É como dizer que Ele supre o material, nós suprimos o trabalho, e com os dois, desenvolvemos nossa salvação. Uma pessoa diz isso porque não compreende a palavra da Bíblia. Se temos de complementar nossa salvação, então, que o Senhor Jesus fez na cruz? Que Ele cumpriu na cruz? Se algo foi cumprido, não pode ser cumprido novamente. Se você é filho de Deus, não pode tornar-se filho de Deus novamente. Na cruz, o Senhor Jesus disse claramente: “Está consumado!” (Jo 19:30). A cruz do Senhor Jesus cumpriu a obra da salvação. Ela cumpriu a obra de redenção. Uma vez que a obra da salvação e da redenção foram cumpridas, não há mais possibilidade de desenvolvermos essa salvação. Se ainda quisermos desenvolver nossa salvação, devemos primeiro destruir a obra do Senhor na cruz. Devemos declarar que a obra do Senhor Jesus não foi consumada, que a obra do Senhor não foi concluída. Eis por que temos de desenvolvê-la.
Muitas vezes, não sabemos o que significa envergonhar os outros. Mas uma vez que tenha experimentado isso, você saberá o que é. Por exemplo, aqui está uma irmã. Alguém pediu a ela que lavasse alguns lenços. Após tê-los lavado, ela os pendura para secar. Mas outra pessoa vem e leva os lenços embora. Quando ela pergunta o motivo, é-lhe dito que foram tirados para ser lavados. Essa é uma vergonha pública para a irmã, pois isso significa que a outra pessoa não acredita que os lenços foram lavados. Significa que eles acham que a irmã mentiu. Da mesma forma, desenvolvermos nossa salvação não é uma glória para Cristo, mas uma vergonha para Cristo. A Bíblia diz claramente que Cristo completou toda a obra.
Por que, então, Filipenses 2:12 diz que devemos desenvolver nossa salvação? A palavra desenvolver na língua original carrega o significado de para fora. Devemos operar para fora nossa salvação em temor e tremor. A palavra de Paulo parou aqui? Se tivesse parado aqui, não saberíamos o que ele quis dizer. O que se segue é o versículo 13, que diz: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Uma vez que Deus operou em você, agora você o desenvolve. Se Deus não operou em, não temos como operar para fora. Desde que Deus tenha operado em, podemos operar para fora. Deus já nos salvou interiormente e nos deu vida. Agora não há outra maneira, exceto deixá-lo vir para fora. Deus não quer que trabalhemos. Ele quer que operemos para fora. Portanto, essa não é uma questão de salvação ou perdição, vida eterna ou morte eterna. Essa é uma questão de se alguém recebe ou não recompensa após sua salvação. Deus já operou em você, levando-o a querer e realizar pelo Seu bom prazer. Portanto, você tem de desenvolvê-la. Esta é a condição adequada de um cristão. Em outras palavras, esta é nossa obra após a salvação. Se um homem ainda não foi salvo, ele não pode desenvolver sua salvação. Se um homem não tem vida, ele não pode expressá-la. Somente após o homem ter sido salvo, ele pode desenvolver sua salvação. Portanto, vê-se que não existe tal coisa como ser salvo por meio de boas obras.
A DIFERENÇA ENTRE A VIDA ETERNA E O REINO
Há uma coisa que precisa estar clara para nós. Ter vida eterna é diferente de entrar no reino dos céus. Todos os que não conseguem ver a diferença entre vida eterna e o reino dos céus jamais terão clareza acerca do caminho da salvação e do caminho da preservação. O Senhor Jesus disse que de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por violência (Mt 11:12). Os violentos o tomam. A lei e as profecias dos profetas terminaram com João (11:12, 13). Baseados nessa palavra, alguns têm dito que precisamos ser violentos, isto é, devemos esforçar-nos para ser salvos. Se não nos esforçarmos, não seremos salvos. Uma pessoa diz isso porque não consegue dizer qual a diferença entre o reino dos céus e a vida eterna. Existe uma diferença entre a vida eterna e o reino dos céus.
A primeira diferença entre ambos é em relação ao tempo. A vida eterna é para a eternidade, mas o reino não é para a eternidade. Quando o novo céu e a nova terra vierem, o reino dos céus passará. O reino dos céus denota o governo de Deus. O período do governo de Deus é o período do reino dos céus. A soberania de Deus na terra e Seu governo sobre a terra serão manifestados por somente mil anos. Que são os céus? O livro de Daniel fala sobre o governo dos céus (7:27). Portanto, o reino dos céus é a esfera na qual os céus governam. Quando o Senhor Jesus vier reger a terra, aquele será o tempo em que os céus governarão. Hoje quem governa a terra é o diabo, Satanás. A política e a autoridade mundial hoje em dia são de Satanás. O Senhor Jesus não reinará senão no período do reino dos céus. Mas o período no qual a autoridade dos céus será efetuada é muito curto. Em 1 Corintios 15:24 é dito: “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder”. O reino será entregue a Deus Pai. Portanto, há um limite temporal para o reino. Contudo, a vida eterna é para sempre. Todo o que lê 1 Coríntios 15 sabe que no início do novo céu e nova terra, isto é, na conclusão do milênio, o reino será entregue. Portanto, há uma diferença temporal entre a vida eterna e o reino dos céus.
A segunda diferença reside no método pelo qual o homem entra no reino dos céus e na maneira pela qual ele obtém a vida eterna. O recebimento da vida eterna é o assunto de todo o Evangelho de João. A maneira de se obter a vida eterna é por meio do crer. Uma vez que cremos, obtemos. Nunca lemos de outra forma. Contudo, entrar no reino dos céus não é uma questão simples. Todo o Evangelho de Mateus menciona o reino dos céus trinta e duas vezes. Nenhuma vez é dito que o reino dos céus é recebido pela fé. Como um homem ganha o reino dos céus? Mateus 7:21 diz: “Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus”. Pode-se ver que a entrada no reino dos céus é mais uma questão de obra do que de fé. Mateus 5:3 também nos diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”. Aqui não diz vida eterna, mas o reino dos céus. Para ter o reino dos céus, a pessoa precisa ser pobre no espírito. O Senhor também diz: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (v.10). Não é necessário ser perseguido para receber a vida eterna, mas o reino é para os que têm sido perseguidos por causa da justiça. Mesmo se um homem tiver a vida eterna, se ele não tem sido perseguido por causa da justiça hoje e não é pobre no espírito, ele ainda pode não ter parte no reino.
Há uma terceira diferença. É quanto à atitude que os cristãos devem ter acerca da vida eterna e do reino dos céus. Com relação à vida eterna, Deus nunca nos disse para procurarmos obtê-la. Pelo contrário, toda vez que é mencionada, Ele nos mostra que já a temos. Entretanto, com relação ao reino, a palavra da Bíblia diz que devemos procurar obtê-lo e buscá-lo diligentemente. Hoje, em se tratando do reino, estamos no estágio de busca; ainda não o obtivemos. Ainda temos de empregar esforço para buscar e persistir em obter o reino.
A quarta diferença reside na maneira como Deus considera o reino e a vida eterna. Deus considera a vida eterna como um presente; ela é dada a nós (Rm 6:23). Não se vê uma pessoa indo ao Senhor para buscar vida eterna. Nunca houve tal coisa, pois a vida eterna é uma graça gratuita; ela é dada por meio do Senhor Jesus para todos aqueles que crêem Nele. Não existe diferença entre alguém que busca e alguém que não está buscando. Contudo, o mesmo não ocorre com o reino. Lembre-se da mãe dos dois filhos de Zebedeu que veio ao Senhor Jesus querendo que o Senhor fizesse com que seus dois filhos se sentassem um de cada lado Dele no reino (Mt 20:21). Mas o Senhor Jesus disse: “O assentar-se à Minha direita e à Minha esquerda não Me compete concedê-lo; mas é para aqueles a quem está preparado por Meu Pai” (v. 23). A graça é obtida uma vez que O invocamos. Mas o reino depende se alguém pode ser batizado em Seu batismo e pode beber o cálice que Ele bebeu. Ambos os discípulos disseram que podiam. Todavia, o Senhor disse que apesar de terem prometido que o fariam, a questão não cabia a Ele decidir. O Pai é Aquele que o concede.
Além disso, o criminoso que foi crucificado juntamente com o Senhor disse a Ele: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no Teu reino”. (Lc 23:42). O Senhor Jesus ouviu sua oração? Sem dúvida que sim. Mas Ele não concedeu seu pedido. O criminoso pediu que o Senhor se lembrasse dele quando o Senhor recebesse o reino. O Senhor Jesus não lhe respondeu que ele estaria com Ele no reino. Pelo contrário, Ele respondeu-lhe: “Hoje estarás Comigo no Paraíso”. (v. 43). O Senhor não lhe respondeu sobre o reino. Mas Ele lhe deu uma resposta com relação ao paraíso. Uma vez que O invoquemos, podemos ir ao Paraíso. Contudo, não é tão simples ir ao reino. Portanto, há uma grande diferença aqui. A atitude de Deus para com a vida eterna e o reino dos céus é diferente: um é o presente de Deus e o outro é a recompensa de Deus.
Com respeito à diferença entre o reino dos céus e a vida eterna, existem outras passagens na Bíblia que são muito interessantes. Agora, chegamos à quinta diferença. Apocalipse 20 mostra-nos que os mártires recebem o reino, embora não diga que sejam os únicos a receberem o reino (v. 4). A Bíblia, entretanto, nunca nos mostra que o homem deva ser martirizado a fim de receber a vida eterna. Se esse fosse o caso, o cristianismo tornar-se-ia uma religião de morte, posto que o homem deveria morrer. Contudo, não se vê coisa semelhante. Entretanto, o reino é diferente. O reino requer esforço. Até mesmo requer o martírio para obtê-lo. Por exemplo, a pobreza é uma condição para o reino dos céus. Para obter o reino dos céus, a pessoa precisa perder suas riquezas. A Bíblia nos mostra claramente que nenhuma pessoa na terra que seja rica segundo seus próprios meios pode entrar no reino dos céus. Não podemos dizer que nenhum rico possa ser salvo. Não podemos dizer que ninguém pode entrar na vida eterna se não quiser perder suas riquezas. Assim como é difícil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, da mesma forma é difícil um rico entrar no reino dos céus (Mt 19:24). Todavia, você já ouviu dizer que por ser impossível um camelo passar pelo fundo de uma agulha, da mesma forma é impossível que um rico seja salvo e tenha a vida eterna? Graças ao Senhor. O pobre pode ser salvo. Assim como o rico pode. O pobre pode herdar a vida eterna e o rico também pode. Contudo, entrar no reino dos céus é um problema para o rico. Se acumularmos riquezas na terra, não seremos capazes de entrar no reino dos céus. É óbvio que isso não significa que alguém tenha de desistir de toda a sua riqueza hoje. Estou dizendo que a pessoa tem de entregar toda a sua riqueza ao Senhor. Somos apenas os administradores. Não somos o dono da casa. A Bíblia nunca reconhece um cristão como o dono de seu dinheiro. Cada um é apenas um administrador do dinheiro que é para o Senhor. Todos nós somos apenas os administradores do Senhor. Existe esta condição para entrar no reino.
Há outra coisa muito peculiar. Não se vê as questões de casamento e família envolvendo a questão da vida eterna. Mas o evangelho de Mateus diz que alguns não se casam por causa do reino dos céus. Alguns até mesmo se fizeram eunucos por causa do reino dos céus (Mt 19:12). A fim de entrar no reino dos céus e ganhar um lugar no reino, eles escolheram permanecer virgens. Ninguém vê a vida eterna ser negada a uma pessoa casada. Se esse fosse o caso, Pedro teria sido o primeiro a ter problema, pois ele tinha sogra (Mt 8:14). Vemos que a questão da vida eterna não está de forma nenhuma relacionada à família e ao casamento, mas a questão do reino está muitíssimo relacionada à família e ao casamento. Essa é a razão de a Bíblia dizer que aqueles que têm esposa devem ser como se não a tivessem. Os que se utilizam do mundo devem ser como se dele não utilizassem, e os que compram como se nada possuíssem (1 Co 7:29-31). Isso tem muito a ver com nossa posição no reino dos céus.
Finalmente, temos de mencionar outra diferença. No reino, há diversos níveis de graduação. Mesmo que os homens sejam capazes de entrar no reino, há diferença na posição que eles ocupam ali. Alguns receberão dez cidades, outros receberão cinco (Lc 19:17-19). Alguns receberão meramente uma recompensa, mas outros receberão um galardão. Alguns ganharão uma rica entrada no reino (2 Pe 1:11). Alguns entrarão no reino sem uma rica entrada. Portanto, existe uma diferença de graduação no reino. Mas nunca haverá uma questão de graduação com relação à vida eterna. A vida eterna é a mesma para todos. Ninguém receberá dez anos a mais que o outro. Não existe diferença na vida eterna, todavia no reino há diferença.
Se alguém ponderar um pouco, perceberá que na Bíblia, o reino e a vida eterna são duas coisas absolutamente diferentes. A condição para a salvação é a fé no Senhor. Além da fé, não há outra condição, pois todos os requisitos já foram cumpridos pelo Filho de Deus. A morte de Seu Filho satisfez todas as exigências de Deus. Mas entrar no reino dos céus é outra questão: requer obras. Hoje um homem é salvo pela justiça de Deus. Mas não podemos entrar no reino dos céus a menos que nossa justiça exceda a dos escribas e fariseus (Mt 5:20). A justiça no viver e na conduta de uma pessoa deve ultrapassar a dos escribas e fariseus para que ela possa entrar no reino dos céus. Portanto, pode-se ver que a questão da vida eterna é completamente baseada no Senhor Jesus. Contudo, a questão do reino está baseada nas obras do homem. Não estou dizendo que reino é melhor que vida eterna, mas Deus tem um lugar tanto para um como para outro.a